Etanol e açúcar geram R$ 586,6 milhões em salários em Mato Grosso
Estudo aponta 10.760 empregos formais nas usinas em 2025 e mais de 151 mil postos associados à cadeia de bioenergia; em Alto Taquari, setor concentra 90% das vagas industriais.
Publicado em: 14/10/2026 às 15:00hs
A indústria de etanol e açúcar movimentou R$ 586,6 milhões em salários em Mato Grosso em 2025, valor equivalente a 9% da massa salarial da indústria estadual. O setor também registrou crescimento do emprego formal e ampliou sua importância econômica nos municípios que abrigam usinas de processamento de cana-de-açúcar e milho.
Os dados são de um estudo do Observatório de Mato Grosso, ligado ao Sistema FIEMT, realizado em parceria com o Sindicato das Indústrias de Bioenergia do Estado de Mato Grosso (Bioind-MT).
O levantamento identifica 19 usinas em operação, distribuídas por 17 municípios. Na safra 2025/26, essas unidades produziram, juntas, 7,3 bilhões de litros de etanol a partir de cana e milho.
Emprego formal na produção de biocombustíveis e açúcar cresce 87%
Entre 2019 e 2025, o número de empregos formais na produção de biocombustíveis e açúcar aumentou 87% em Mato Grosso. No mesmo intervalo, os demais segmentos industriais, considerados em conjunto, registraram avanço de 34%.
Em 2025, as unidades industriais do setor empregavam formalmente 10.760 trabalhadores, correspondentes a 5,3% dos postos formais da indústria estadual.
Quando considerados os efeitos diretos, indiretos e induzidos sobre outros segmentos da economia, o estudo estima mais de 151 mil empregos relacionados à bioenergia. Esse total abrange o alcance da atividade sobre a cadeia produtiva e a movimentação econômica gerada, além das vagas existentes nas usinas.
Investimentos somam R$ 27 bilhões desde 2017
Desde 2017, quando entrou em operação a primeira usina dedicada à produção de etanol de milho no estado, o setor realizou R$ 27 bilhões em investimentos, segundo o levantamento.
Outras três unidades estão em construção e duas passam por ampliações, com aproximadamente R$ 6,8 bilhões em investimentos em andamento.
Para o presidente do Bioind-MT, José Fernando Mazuca Filho, a presença das usinas em diferentes regiões fortalece as economias locais, movimenta fornecedores e agrega valor à produção agrícola.
Na avaliação do dirigente, a proximidade entre as unidades industriais e as áreas produtoras representa um diferencial para o desenvolvimento da bioenergia em Mato Grosso.
Etanol e açúcar concentram 90% dos empregos industriais em Alto Taquari
A participação do setor ganha maior dimensão nos municípios onde as usinas estão instaladas.
Em Alto Taquari, que tinha aproximadamente 8 mil habitantes no Censo de 2022, a fabricação de etanol e açúcar responde por 90% dos empregos industriais formais.
Em Nova Olímpia, a participação chega a 85%, com cerca de 3 mil pessoas trabalhando diretamente no setor de bioenergia, conforme os dados apresentados.
Os números mostram a importância dessas operações para o mercado de trabalho local, especialmente em municípios nos quais a atividade concentra grande parte da estrutura industrial.
Usina de milho movimenta comércio e serviços em Tapurah
Os efeitos da expansão também alcançam atividades fora das unidades industriais. Em Tapurah, uma usina de etanol de milho está em operação desde outubro de 2025.
Segundo Flávio Anderson Breitenbach, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Tapurah, a instalação da indústria aumentou a demanda por aluguéis, mercados e serviços.
O representante relata que esses segmentos tiveram incremento de aproximadamente 30% nas vendas, associando o movimento à chegada da operação industrial.
Margens apertadas exigem cautela das indústrias
Apesar do crescimento do emprego e dos investimentos, o Bioind-MT afirma que o setor enfrenta dificuldades de rentabilidade.
De acordo com Mazuca Filho, as margens estão apertadas e, em alguns momentos, negativas. O dirigente aponta como fatores de pressão a volatilidade das commodities, os conflitos internacionais, os juros elevados no Brasil e o descompasso entre preços de venda e custos.
Mesmo diante dessas condições, ele destaca que as empresas continuam investindo e buscando competitividade. A perspectiva de um novo ciclo de crescimento, segundo o presidente do sindicato, depende de um ambiente econômico favorável e de condições que permitam ao produtor e à indústria sustentar suas operações.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias