Publicado em: 03/07/2026 às 17:20hs
O mercado internacional do açúcar encerrou o mês de junho com movimentos mistos entre as principais bolsas globais, em meio ao avanço das preocupações climáticas associadas ao fenômeno El Niño e seus impactos sobre importantes regiões produtoras de cana-de-açúcar e beterraba sacarina.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), os contratos de açúcar bruto com vencimento em outubro encerraram o último pregão de junho cotados a 14,82 centavos de dólar por libra-peso, acumulando queda de 5,5% em relação ao fim de maio, quando estavam em 14,54 centavos.
Já na Bolsa de Londres (ICE Europe), o açúcar refinado apresentou comportamento oposto no período. O contrato com entrega em agosto avançou 4,3% no mês, sendo negociado a US$ 474,60 por tonelada, refletindo preocupações com oferta mais apertada no médio prazo.
O cenário reforça a divergência entre os mercados, com o refinado reagindo mais fortemente às perspectivas de aperto na oferta global.
As condições de tempo mais seco associadas ao El Niño têm gerado preocupação crescente sobre a safra de cana-de-açúcar na Índia, um dos maiores produtores e exportadores globais ao lado do Brasil.
Estados-chave como Maharashtra, Karnataka e Tamil Nadu enfrentam redução nas chuvas de monção e sinais de estresse hídrico, o que pode comprometer o desenvolvimento da safra atual.
Analistas do setor estimam que a produção indiana pode sofrer redução entre 3 milhões e 8 milhões de toneladas caso o cenário climático se mantenha desfavorável. Esse possível recuo reforça o risco de menor disponibilidade global de açúcar nos próximos ciclos.
Além disso, o mercado acompanha com atenção a política comercial indiana, já que eventuais restrições às exportações poderiam intensificar ainda mais a pressão sobre os preços internacionais.
Na Europa, uma onda de calor prolongada vem afetando importantes regiões produtoras de beterraba sacarina, especialmente em países como França e Alemanha.
As altas temperaturas, combinadas com baixos níveis de umidade do solo, já provocam estresse hídrico nas lavouras, com relatos de plantas murchando e redução do potencial produtivo em áreas mais afetadas.
Meteorologistas indicam que o padrão de calor deve persistir no curto prazo, mantendo o risco climático elevado e aumentando a preocupação com a produtividade da safra europeia.
O conjunto de fatores climáticos na Ásia e na Europa, somado às incertezas sobre a política de exportação da Índia, mantém o mercado de açúcar em alerta.
Embora o Brasil siga como principal amortecedor da oferta global, limitações logísticas e industriais para expansão rápida da produção podem restringir a capacidade de resposta no curto prazo.
Diante desse cenário, o mercado tende a permanecer volátil nas próximas semanas, com preços sensíveis a qualquer revisão nas projeções de produção global e ao comportamento das condições climáticas nas principais regiões produtoras.
Fonte: Portal do Agronegócio
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