Setor Sucroalcooleiro

Bunge: expansão do açúcar no Brasil pode demorar mais que o esperado

"A indústria (de açúcar e etanol derivado de cana-de açúcar) do Brasil está em um ponto de virada e a caminho de tempos melhores", disse Soren Schroder, em painel na Conferência Sugar Dubai


Publicado em: 03/02/2016 às 09:00hs

Bunge: expansão do açúcar no Brasil pode demorar mais que o esperado

A indústria de açúcar do Brasil vai se expandir para ajudar a preencher um déficit de abastecimento global, mas esse processo pode levar mais tempo do que o esperado, afirmou, neste domingo, o presidente-executivo da multinacional Bunge, empresa global de agronegócio, alimentos e bioenergia.

"A indústria (de açúcar e etanol derivado de cana-de açúcar) do Brasil está em um ponto de virada e a caminho de tempos melhores", disse Soren Schroder, em painel na Conferência Sugar Dubai.

Cerca de 70 usinas de açúcar brasileiras entraram com pedido de proteção contra credores nos últimos três anos conforme um longo período de preços baixos do açúcar pressionou as margens de lucro. O mercado mundial de açúcar, no entanto, está agora mudando para o déficit em 2015/16 após quatro anos de excedentes, impulsionado em grande parte pelo consumo mundial maior que o esperado, veem operadores e analistas.

O Brasil era o único fornecedor com o potencial para preencher o hiato de demanda, mas para isso seria necessário aumentar a moagem anual em mais de 200 milhões de toneladas até 2025.

"Nós podemos argumentar que é a incerteza dos últimos 7-8 anos fará ser muito difícil conseguir essa expansão", disse Schroder. "O setor é muito frágil ... E precisa de um período de estabilidade para atender a essa expansão."

A previsão é de que no Brasil, no biênio 2016/2017, uma maior proporção de cana de açúcar se destine à produção de adoçante do que na temporada anterior, o que elevaria o abastecimento global, com melhores preços para o produto sem refino do que para o etanol. A indústria açucareira do Brasil também se beneficiou da depreciação do real, que caiu 34% frente ao dólar no último ano para dar a seus produtores uma vantagem competitiva.

No Brasil, a Bunge é uma das principais empresas de agronegócio e alimentos e que está entre as líderes no processamento de cana do Brasil. Cerca de 20.000 colaboradores, é líder em originação de grãos e processamento de soja e trigo, na fabricação de produtos alimentícios e em serviços portuários. Desde 2006, atua também no segmento de açúcar e bioenergia.

Fonte: Reuters

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