ATR sobe 7,3% em Pernambuco e valor de referência da cana chega a R$ 149,44 por tonelada
Alta do açúcar e do etanol, mudanças na referência de comercialização e inclusão de valores no cálculo do anidro impulsionam remuneração em setembro, segundo a AFCP
Publicado em: 07/10/2026 às 10:50hs
O valor do quilo do Açúcar Total Recuperável (ATR) subiu 7,30% em Pernambuco em setembro, elevando o valor de referência da tonelada de cana-de-açúcar para R$ 149,4362. O aumento corresponde a R$ 10,1631 por tonelada, conforme os números apresentados pelo presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), Alexandre Andrade Lima.
Segundo a entidade, o resultado combina a valorização do açúcar e do etanol com alterações nas referências utilizadas no cálculo e no mix de comercialização. A inclusão de um bônus relacionado ao etanol anidro e o tratamento tributário informado para o produto também contribuíram para a alta.
Açúcar registra valorização nos mercados interno e externo
Entre os componentes do cálculo, o açúcar VHP destinado ao mercado mundial avançou 8,02%, alcançando R$ 98,93 por saco. O açúcar cristal comercializado no mercado interno subiu 4,44%, para R$ 120,60 por saco.
O maior aumento ocorreu na referência do VHP destinado ao mercado norte-americano, que registrou alta de 25,1%, chegando a R$ 153,13 por saco.
De acordo com a AFCP, esse componente passou por uma mudança de metodologia em setembro. A referência fixa de 21 centavos de dólar por libra-peso deixou de ser utilizada, dando lugar à cotação de tela informada pela Esalq, com desconto referente à tributação norte-americana de 25%, conforme o critério adotado no cálculo.
A alteração, somada ao comportamento dos preços, teve participação na composição do ATR do mês.
Etanol anidro e hidratado também sustentam aumento
Os preços dos dois tipos de etanol igualmente contribuíram para a valorização da cana em Pernambuco.
O hidratado subiu 4,32%, atingindo R$ 3.319,36 por metro cúbico, enquanto o anidro avançou 6,61%, para R$ 3.506,00 por metro cúbico.
Segundo a associação, a partir de setembro o cálculo passou a incorporar R$ 0,49 por litro de etanol anidro, valor tratado pela entidade como bônus. A AFCP também aponta a isenção de PIS/Cofins, correspondente a R$ 0,19 por litro, entre os fatores considerados na melhora do resultado.
Assim, a elevação do ATR refletiu tanto os preços dos produtos derivados da cana quanto os ajustes incorporados à metodologia de remuneração.
Articulação entre fornecedores e indústria viabiliza medidas de apoio
Alexandre Andrade Lima destaca que o entendimento entre fornecedores de cana e industriais foi importante para enfrentar as dificuldades da safra anterior e construir medidas para o novo ciclo.
Segundo o presidente da AFCP, essa articulação contribuiu para a obtenção de apoio estadual por meio da política de doação de fertilizantes aos fornecedores de cana, além da inclusão do bônus de R$ 0,49 por litro de anidro desde o início da nova safra.
Para a entidade, a combinação entre recuperação dos preços, ajustes no cálculo e cooperação entre os elos da cadeia explica o avanço do valor de referência da cana em setembro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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