Publicado em: 16/02/2026 às 09:55hs
Mesmo com o fechamento da Bolsa de Nova York nesta segunda-feira (16), devido ao feriado do Dia do Presidente, o açúcar apresentou um movimento firme de alta no mercado europeu. Em ICE Futures Europe, o produto voltou a ser negociado acima de US$ 400 por tonelada, após uma sequência de quedas nas semanas anteriores.
O contrato com vencimento em março de 2026 foi cotado a US$ 409,10 por tonelada, com valorização de 3,02%. Os vencimentos mais longos também registraram avanço: agosto subiu para US$ 405,00 (+2,74%) e outubro alcançou US$ 403,40 (+2,52%).
De acordo com analistas, a recuperação observada em Londres tem origem técnica. Depois da pressão vendedora que levou o mercado a níveis considerados de sobrevenda, houve ativação automática de ordens de compra e cobertura de posições vendidas por fundos de investimento.
Esse movimento ganhou força após o encerramento do contrato de açúcar branco ICE nº 5 de março, na última sexta-feira (13), o que ajudou a sustentar a tendência de alta mesmo com a ausência de referência dos preços em Nova York.
Enquanto o mercado financeiro se ajusta, o setor produtivo começa a reposicionar estratégias. A São Martinho S.A., uma das maiores processadoras de cana-de-açúcar do país, avalia que as atuais cotações do açúcar — próximas de 14 centavos de dólar por libra-peso — não refletem as condições reais do mercado e devem reagir ao longo da próxima safra.
Segundo Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de Relações com Investidores da companhia, a produção de etanol hoje apresenta maior rentabilidade, o que tende a direcionar parte da moagem de cana para o biocombustível. Essa mudança na destinação da matéria-prima pode reduzir a oferta global de açúcar e favorecer a recuperação dos preços.
Vicchiato ressaltou que a São Martinho tem adotado uma postura conservadora nas fixações futuras, aguardando um cenário mais favorável antes de ampliar as vendas.
“Entendemos que os preços devem reagir. Quando isso ocorrer, vamos acelerar as vendas. No momento, não faz sentido fixar com o açúcar a 14 centavos de dólar por libra-peso”, afirmou.
A companhia também acompanha de perto a safra de cana-de-açúcar na Índia, país considerado peça-chave para o equilíbrio entre oferta e demanda mundial do adoçante.
Fonte: Portal do Agronegócio
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