Setor Sucroalcooleiro

Açúcar tem alta nas bolsas internacionais, mas mercado interno segue pressionado

Preços do açúcar sobem em Nova York e Londres impulsionados pela valorização do real e por decisão da Suprema Corte dos EUA, enquanto no Brasil as negociações continuam limitadas e as cotações permanecem próximas de R$ 100 por saca.


Publicado em: 24/02/2026 às 11:40hs

Açúcar tem alta nas bolsas internacionais, mas mercado interno segue pressionado
Negociações restritas mantêm preços do açúcar estáveis em São Paulo

Após o período de Carnaval, o mercado spot de açúcar cristal branco em São Paulo apresentou baixa movimentação, com poucos negócios entre usinas e distribuidores. De acordo com o Cepea/Esalq, houve uma leve recuperação dos preços na segunda metade de fevereiro, após ficarem abaixo dos R$ 100 por saca de 50 quilos nas semanas anteriores.

Entre 18 e 20 de fevereiro, o indicador Cepea/Esalq (açúcar cristal branco, cor Icumsa 130 a 180) registrou média de R$ 100,53/saca, avanço de 0,64% em relação à semana anterior. Pesquisadores do Cepea destacam que o volume reduzido de negociações torna as médias mais suscetíveis a variações diárias, refletindo movimentos de curto prazo em vez de uma tendência consolidada.

Esse comportamento demonstra que o mercado doméstico ainda enfrenta instabilidade, com oscilações pontuais e poucas operações efetivas.

Cotações do açúcar sobem nas bolsas internacionais

Nos mercados externos, o açúcar iniciou a semana em alta, impulsionado por fatores cambiais e expectativas sobre o comércio global. Na ICE Futures US, o contrato março/2026 fechou a 14,45 centavos de dólar por libra-peso, aumento de cerca de 1% em relação à sessão anterior. O contrato maio/2026 encerrou a 14,00 centavos/lbp, alta de 0,93%.

A valorização do real brasileiro, que atingiu o maior patamar frente ao dólar em quase dois anos, contribuiu para a elevação das cotações internacionais, já que reduz a atratividade das exportações brasileiras, influenciando a oferta global.

Na ICE Futures Europe, o açúcar branco também apresentou ganhos. O contrato maio/2026 foi cotado a US$ 408,20 por tonelada, com alta de US$ 1,60, enquanto os vencimentos seguintes também fecharam no campo positivo.

Decisão nos EUA favorece perspectivas para exportações brasileiras

Uma decisão recente da Suprema Corte dos Estados Unidos, que anulou tarifas comerciais implementadas durante o governo Donald Trump, trouxe otimismo ao setor. A medida pode abrir espaço para que o açúcar brasileiro conquiste maior participação no mercado norte-americano, o que tende a sustentar os preços internacionais no curto prazo.

Além disso, a Unica reportou queda expressiva de 36% na produção de açúcar do Centro-Sul na segunda quinzena de janeiro, totalizando cerca de 5 mil toneladas. Mesmo com essa redução pontual, o volume acumulado da safra 2025/26 até janeiro apresentou leve crescimento de 0,9%, chegando a 40,24 milhões de toneladas, com 50,74% da cana destinada à fabricação de açúcar.

Esses fatores combinados contribuíram para a retomada das cotações nas bolsas internacionais.

Etanol segue em queda e pressiona margens das usinas

Enquanto o açúcar mostra sinais de recuperação no mercado externo, o etanol hidratado continua recuando nos preços domésticos. Segundo o Indicador Diário de Paulínia (SP), o biocombustível foi negociado a R$ 2.973,50 por metro cúbico, queda de 1,18% no dia e de 5,83% no acumulado de fevereiro.

A desvalorização contínua do etanol reflete a menor demanda e pressiona as margens das usinas, que enfrentam custos crescentes e menor rentabilidade tanto na produção de biocombustível quanto de açúcar.

Cenário geral do setor sucroenergético

Mesmo com a valorização nas bolsas internacionais, o mercado de açúcar no Brasil ainda enfrenta desafios. A liquidez limitada, a variação cambial e os custos operacionais mantêm o setor em alerta. No cenário global, entretanto, a redução na produção brasileira e o possível aumento da demanda norte-americana criam expectativas de recuperação gradual dos preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

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