Publicado em: 09/03/2026 às 11:00hs
O mercado internacional do açúcar encerrou a última semana com valorização nas principais bolsas globais. Em contraste, o mercado físico brasileiro registrou recuo nas cotações, refletindo um cenário de oferta e comercialização interna mais pressionado.
Ao mesmo tempo, dados recentes indicam crescimento no volume exportado pelo Brasil e uma programação significativa de embarques nos portos nacionais. No cenário global, analistas acompanham projeções que apontam possível déficit de oferta nas próximas safras, o que pode sustentar os preços internacionais no médio prazo.
Os contratos futuros de açúcar bruto negociados na ICE Futures, em Nova York, terminaram o pregão de sexta-feira (06) em terreno positivo.
O contrato com vencimento em maio de 2026 avançou 0,38 centavo de dólar, encerrando a 14,10 cents por libra-peso. Já o contrato julho/26 registrou valorização de 0,40 centavo, alcançando 14,19 cents/lbp, enquanto o outubro/26 subiu 0,38 centavo e fechou a 14,54 cents/lbp. Outros vencimentos mais longos também acompanharam o movimento de alta.
Na ICE Europe, em Londres, os contratos de açúcar branco também apresentaram ganhos relevantes. O contrato maio/26 avançou US$ 8,00, fechando a US$ 414,50 por tonelada.
Os contratos agosto/26 e outubro/26 registraram altas de US$ 10,20 e US$ 10,30, respectivamente, encerrando ambos a US$ 415,40 por tonelada.
Mesmo com a valorização no exterior, o mercado físico brasileiro apresentou nova queda nos preços.
O indicador do açúcar cristal branco em São Paulo, calculado pelo Cepea/Esalq, apontou recuo na sexta-feira (06). A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 97,38, representando queda diária de 0,25%.
Com esse resultado, o indicador acumula desvalorização de 1,23% no mês de março, sinalizando que a dinâmica interna de oferta e demanda ainda mantém pressão sobre as cotações domésticas.
As perspectivas para o mercado mundial de açúcar indicam possível aperto na oferta nos próximos ciclos produtivos.
Estimativas de analistas apontam que o mercado global pode enfrentar déficit de cerca de 1,5 milhão de toneladas na safra 2026/27.
No caso do Centro-Sul do Brasil, principal polo produtor do país, a produção é estimada em aproximadamente 40,38 milhões de toneladas, com uma parcela menor da cana-de-açúcar direcionada à fabricação de açúcar.
Projeções de consultorias do setor também sugerem um déficit mais amplo no mercado internacional, que pode alcançar 2,68 milhões de toneladas na safra 2026/27, considerando fatores como condições climáticas e estímulos de preços à produção.
Levantamento da agência marítima Williams Brasil indica que 41 navios estavam na fila para embarcar açúcar nos portos brasileiros na semana encerrada em 4 de março. No levantamento anterior, o número era de 40 embarcações.
A programação total de carregamento soma 1,493 milhão de toneladas, ligeiramente acima das 1,461 milhão de toneladas registradas na semana anterior.
O Porto de Santos (SP) concentra o maior volume previsto para embarque, com 909.388 toneladas.
Outros portos com embarques programados incluem:
Entre os tipos de açúcar destinados à exportação predominam:
O levantamento considera embarcações já atracadas, navios aguardando vaga e também aqueles com previsão de chegada até 7 de junho.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 2.229.718 toneladas de açúcar em fevereiro, com receita total de US$ 818,842 milhões.
O preço médio de comercialização foi de US$ 367,20 por tonelada.
A média diária de receita das exportações atingiu US$ 45,491 milhões, considerando 18 dias úteis no mês.
Na comparação com fevereiro de 2025, os números indicam mudanças no perfil das vendas externas:
No consolidado do mês, o volume exportado cresceu 22% frente às 1,825 milhão de toneladas embarcadas em fevereiro de 2025, enquanto a receita apresentou retração de 6% em relação aos US$ 872 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.
O desempenho das exportações agrícolas brasileiras também é influenciado pelo ambiente macroeconômico e pelas condições do mercado financeiro.
O Banco Central do Brasil monitora fatores como inflação, taxa de juros e comportamento do câmbio, que impactam diretamente a competitividade das commodities brasileiras no mercado internacional.
Nesse contexto, a evolução do dólar frente ao real continua sendo um dos principais elementos observados pelos agentes do setor sucroenergético.
Fonte: Portal do Agronegócio
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