Setor Sucroalcooleiro

Açúcar sobe nas bolsas internacionais com dólar fraco, mas mercado interno segue pressionado e etanol amplia perdas

Recuperação externa contrasta com queda dos preços no Brasil e cenário ainda desafiador para o setor sucroenergético


Publicado em: 15/04/2026 às 11:00hs

Açúcar sobe nas bolsas internacionais com dólar fraco, mas mercado interno segue pressionado e etanol amplia perdas

O mercado global de açúcar registrou recuperação nas bolsas internacionais nesta terça-feira (14), impulsionado pela fraqueza do dólar e por movimentos técnicos de cobertura de posições vendidas. Apesar da alta no exterior, o cenário no Brasil segue pressionado, com recuo nos preços do açúcar e queda acentuada do etanol ao longo de abril.

Açúcar avança em Nova York com suporte do dólar mais fraco

Na ICE Futures US, os contratos futuros do açúcar bruto encerraram o pregão em alta.

O contrato com vencimento em maio/2026 subiu 0,20 centavo (+1,46%), fechando a 13,88 cents de dólar por libra-peso. Já o julho/2026 avançou 0,21 centavo (+1,5%), para 14,09 cents/lbp.

A valorização ocorre após o mercado atingir, mais cedo, a mínima desde o início de março, a 13,56 cents/lbp. O movimento foi impulsionado pela desvalorização do dólar frente a outras moedas, estimulando a recompra de posições vendidas por parte dos investidores.

Bolsa de Londres acompanha alta e reforça recuperação global

Na ICE Europe, o açúcar branco também registrou valorização.

O contrato maio/2026 avançou US$ 13,00, sendo negociado a US$ 424,20 por tonelada. O agosto/2026 subiu US$ 5,10, para US$ 419,70, enquanto o outubro/2026 teve alta de US$ 4,20, encerrando a US$ 420,70 por tonelada.

O movimento acompanha a recuperação global dos preços após uma sequência recente de quedas.

Mercado interno registra queda e amplia perdas em abril

Apesar do cenário positivo no exterior, o mercado doméstico brasileiro segue em trajetória de queda.

O indicador do açúcar cristal branco em São Paulo, calculado pelo CEPEA/ESALQ, recuou 1,90% na terça-feira (14), com a saca de 50 quilos negociada a R$ 101,50.

No acumulado de abril, a queda já chega a 3,75%, refletindo um movimento de correção após as altas registradas no mês anterior.

Etanol amplia retração e acumula queda próxima de 10% no mês

O mercado de etanol também segue pressionado no estado de São Paulo.

De acordo com o Indicador Diário Paulínia, o etanol hidratado foi negociado a R$ 2.726,00 por metro cúbico, com queda de 1,77% no comparativo diário.

No acumulado de abril, o recuo já atinge 9,96%, evidenciando a continuidade da pressão sobre os preços do biocombustível neste início de safra.

Oferta elevada no curto prazo limita avanço dos preços

Apesar da recuperação nas bolsas, operadores indicam que o fluxo de açúcar disponível no mercado físico permanece elevado, o que continua limitando ganhos mais consistentes nos preços.

Esse cenário de oferta abundante no curto prazo mantém a pressão sobre as cotações, especialmente no mercado interno.

Perspectiva de menor oferta global pode sustentar preços no futuro

Por outro lado, o mercado já observa fatores que podem restringir a oferta global na próxima safra.

A possibilidade de desenvolvimento do fenômeno El Niño a partir de meados do ano pode impactar a produção em importantes países produtores.

Na Índia, segundo maior produtor mundial, a expectativa é de chuvas de monção abaixo da média, o que pode afetar a produtividade.

Já na França, o Ministério da Agricultura projeta uma redução de 4,6% na área plantada com beterraba sacarina, indicando possível diminuição da oferta na próxima temporada.

Mercado segue dividido entre pressão atual e expectativas futuras

O cenário atual do açúcar reflete um equilíbrio entre fatores de curto e médio prazo.

Enquanto a oferta elevada e a pressão interna mantêm os preços contidos, a combinação de riscos climáticos e ajustes na produção global pode dar suporte às cotações no futuro.

No Brasil, a dinâmica entre açúcar e etanol seguirá sendo determinante para o comportamento do setor sucroenergético ao longo dos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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