Açúcar sobe nas bolsas globais com suporte da safra brasileira e projeções de déficit global
Cotações do açúcar reagem em Nova York e Londres após dados do Centro-Sul e revisão de oferta mundial; mercado interno também registra alta com avanço do cristal e do etanol em São Paulo
Publicado em: 24/06/2026 às 11:50hs
O mercado internacional do açúcar voltou a registrar valorização na terça-feira (23), encerrando uma sequência recente de perdas. O movimento foi sustentado por novos dados da safra brasileira e por revisões nas projeções globais de oferta, que reforçaram a percepção de um balanço mais ajustado da commodity nos próximos meses.
Mercado internacional: Nova York fecha em alta com ajuste de posições
Na Bolsa de Nova York, os contratos do açúcar bruto apresentaram recuperação ao longo do pregão.
- Julho/26: +0,07 cent, a 13,42 cents/lbp
- Outubro/26: +0,11 cent, a 13,95 cents/lbp
- Março/27: +0,10 cent, a 14,85 cents/lbp
Os demais vencimentos também encerraram o dia em território positivo, refletindo o reposicionamento dos investidores diante de novos fundamentos de oferta.
As negociações ocorrem no ambiente da Intercontinental Exchange, referência global para contratos de açúcar bruto.
Londres: açúcar branco acompanha movimento de alta
Na Intercontinental Exchange, o açúcar branco também fechou em alta, acompanhando o tom positivo observado em Nova York.
- Agosto/26: +US$ 0,70, a US$ 441,10/t
- Outubro/26: +US$ 1,40, a US$ 434,10/t
- Dezembro/26: +US$ 1,70, a US$ 431,40/t
O avanço reflete o ajuste global de expectativas em relação à disponibilidade do produto no médio prazo.
Mercado interno: açúcar cristal tem forte alta em São Paulo
No Brasil, o açúcar cristal branco registrou valorização consistente no indicador diário.
Segundo o Cepea, da Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), a saca de 50 kg foi negociada a R$ 94,07, com alta de 2,70% no dia.
O indicador acumula ganho de 1,15% em junho, revertendo parte das perdas observadas nas semanas anteriores e sinalizando recuperação do mercado físico.
Etanol: mercado segue em trajetória positiva
O etanol hidratado também manteve viés de alta no mercado paulista.
O Indicador Diário Paulínia apontou o combustível a R$ 2.360,00 por metro cúbico, avanço de 0,11% no comparativo diário. No acumulado de junho, o biocombustível registra alta de 0,36%.
Fundamentos: safra brasileira e revisão global sustentam preços
A sustentação dos preços no mercado internacional está diretamente ligada aos dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), que apontam produção de 6,84 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul até o fim de maio — queda de 2% em relação ao mesmo período da safra anterior.
Outro fator relevante é a mudança no mix de produção das usinas brasileiras, com:
- Queda da participação do açúcar para 41,42%
- Aumento do etanol para 58,58%
Esse movimento reduz a disponibilidade do açúcar no mercado e reforça o suporte às cotações.
No cenário internacional, a consultoria Czarnikow revisou sua projeção para a safra 2026/27, que passou de superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas — mudança que reforça a percepção de equilíbrio mais apertado entre oferta e demanda.
Perspectivas: clima, petróleo e moagem seguem no radar
Apesar da recuperação recente, o mercado permanece atento a fatores que podem influenciar os preços nas próximas semanas, como:
- Evolução da moagem no Centro-Sul do Brasil
- Comportamento do petróleo, que afeta a competitividade do etanol
- Ritmo da produção global nas principais origens
A combinação desses elementos deve manter elevada a volatilidade no curto prazo, com os investidores reagindo a cada nova atualização de oferta e demanda no setor sucroenergético global.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias