Publicado em: 12/03/2026 às 11:00hs
O mercado global de açúcar registrou nova queda nas cotações nesta quarta-feira (11), refletindo o sentimento de ampla oferta no cenário internacional. O movimento foi observado tanto nas bolsas externas quanto no mercado físico brasileiro, com recuo nos preços do açúcar e leve queda também nas cotações do etanol.
Os contratos futuros de açúcar bruto negociados na bolsa ICE Futures, em Nova York, encerraram o pregão com perdas.
O contrato com vencimento em maio de 2026 fechou cotado a 14,25 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 0,13 centavo (-0,90%) em relação ao fechamento anterior. Já o contrato julho/2026 caiu 0,10 centavo, encerrando o dia a 14,41 cents/lbp.
Outros vencimentos também registraram perdas moderadas. O contrato outubro/2026 terminou o pregão a 14,81 cents/lbp, com queda de 0,08 centavo.
Segundo analistas do mercado, os preços receberam suporte recente da valorização da energia, mas não conseguiram romper a faixa entre 13 e 15 centavos de dólar por libra, o que desencadeou um movimento de correção técnica.
Na bolsa de Londres, onde são negociados os contratos de açúcar branco, o movimento também foi negativo.
O contrato maio/2026 recuou US$ 4,80, sendo negociado a US$ 413,60 por tonelada.
O vencimento agosto/2026 caiu US$ 4,50, para US$ 418,70 por tonelada, enquanto o contrato outubro/2026 perdeu US$ 3,60, encerrando o pregão a US$ 421,40 por tonelada.
A queda acompanha o sentimento predominante no mercado internacional de que a oferta global segue confortável.
No Brasil, o mercado físico acompanhou a tendência observada no exterior.
O Indicador do Açúcar Cristal Branco em São Paulo, calculado pelo Cepea/Esalq, registrou queda nesta quarta-feira (11). A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 97,28, representando uma baixa diária de 1,26%.
Com esse resultado, o indicador acumula queda de 1,33% em março, refletindo a continuidade da pressão sobre os preços no mercado físico paulista.
De acordo com análise do especialista da StoneX, Marcelo Di Bonifácio Filho, o mercado internacional de açúcar passa por ajustes na oferta, mas ainda sem mudanças relevantes no equilíbrio global.
Mesmo com revisões para baixo na produção de países como Brasil e Índia, o cenário global ainda aponta para leve superávit de açúcar, o que limita movimentos de alta mais consistentes nos preços.
Outro fator que contribui para manter o mercado pressionado é o bom desempenho de regiões produtoras como a Europa, que registrou uma safra de beterraba acima do esperado, ampliando a disponibilidade mundial do produto.
Além disso, sinais de demanda global mais fraca também ajudam a restringir uma recuperação mais forte das cotações.
O mercado de biocombustíveis também apresentou ajuste nas cotações.
O Indicador Diário de Paulínia (SP) registrou queda no preço do etanol hidratado, que foi negociado a R$ 3.040,00 por metro cúbico, baixa de 0,38% na comparação diária.
Apesar do recuo no dia, o indicador ainda acumula valorização de 2,34% no mês de março.
Em meio ao cenário de mercado, a produtora brasileira de açúcar e etanol Raízen chegou a um acordo com credores e detentores de títulos para realizar uma reestruturação extrajudicial de dívida, segundo informou o jornal O Globo.
A medida faz parte da estratégia da companhia para reorganizar sua estrutura financeira em um momento de maior volatilidade no mercado global de commodities agrícolas.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias