Setor Sucroalcooleiro

Açúcar recua nas bolsas internacionais, dólar pressiona cotações e mercado brasileiro sente avanço da safra

Após sequência de altas, mercado do açúcar entra em movimento de realização de lucros; no Brasil, preços do cristal caem com maior oferta e etanol tenta recuperação em Paulínia


Publicado em: 15/05/2026 às 11:10hs

Açúcar recua nas bolsas internacionais, dólar pressiona cotações e mercado brasileiro sente avanço da safra

O mercado global do açúcar encerrou a quinta-feira com forte pressão negativa nas bolsas internacionais, interrompendo a sequência de valorização registrada nos últimos pregões. A combinação entre fortalecimento do dólar, realização de lucros por investidores e avanço da safra brasileira voltou a pesar sobre as cotações do adoçante, refletindo diretamente também no mercado físico nacional.

Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto fecharam em baixa. O vencimento julho/26 recuou 0,39 centavo de dólar, encerrando a sessão a 14,99 cents por libra-peso. O contrato outubro/26 caiu para 15,49 cents/lbp, com perda de 0,35 centavo, enquanto o março/27 fechou a 16,33 cents/lbp, baixa de 0,31 centavo. Os demais vencimentos também acompanharam o movimento de correção.

Em Londres, a pressão foi ainda mais intensa no açúcar branco negociado pela ICE Europe. O contrato agosto/26 perdeu US$ 12,50 e terminou o dia cotado a US$ 442,90 por tonelada. O outubro/26 caiu US$ 10,90, para US$ 442,50, enquanto o dezembro/26 recuou US$ 9,40, encerrando o pregão a US$ 445,10 por tonelada.

O movimento ocorre após dias consecutivos de valorização impulsionados pelas preocupações em torno de um possível déficit global de oferta na safra 2026/27. No entanto, o mercado passou por um ajuste técnico, com investidores aproveitando o recente avanço das cotações para recomposição de posições.

Outro fator decisivo para o recuo do açúcar foi a valorização do dólar frente ao real. A moeda norte-americana voltou a operar acima do patamar de R$ 5,00, aumentando a competitividade das exportações brasileiras e pressionando os preços internacionais da commodity.

Mercado interno acompanha queda e cristal acumula perdas em maio

No mercado doméstico, os preços também seguem pressionados pelo avanço da moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil. O Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo registrou queda de 1,34% na quinta-feira, com a saca de 50 quilos negociada a R$ 95,23.

Com o novo recuo, o indicador já acumula desvalorização de 2,74% ao longo de maio, refletindo um cenário de maior disponibilidade do produto e negociações mais lentas entre usinas e compradores.

O avanço da safra brasileira continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre o mercado físico, especialmente diante da expectativa de maior produção de açúcar na temporada atual.

Etanol reage no curto prazo, mas segue no negativo no mês

Enquanto o açúcar perdeu força, o mercado de etanol apresentou leve recuperação no interior paulista. O Indicador Diário Paulínia apontou o etanol hidratado a R$ 2.324,00 por metro cúbico, alta diária de 0,43%.

Apesar do avanço pontual, o biocombustível ainda acumula retração de 3,41% em maio, em meio à maior oferta sazonal e à cautela do mercado distribuidor.

Cenário segue volátil para o setor sucroenergético

O mercado segue atento ao comportamento do dólar, ao ritmo da safra brasileira e às perspectivas globais de oferta e demanda. Mesmo com a correção registrada nesta semana, agentes do setor ainda monitoram possíveis impactos climáticos e produtivos em importantes regiões exportadoras, fatores que podem voltar a sustentar os preços internacionais nos próximos meses.

Para o setor sucroenergético brasileiro, o momento exige atenção redobrada à gestão comercial e aos movimentos do mercado internacional, especialmente em um ambiente marcado por volatilidade cambial e maior oferta no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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