Setor Sucroalcooleiro

Açúcar recua nas bolsas internacionais com pressão cambial e ajustes na produção brasileira

Commodities agrícolas sofrem com avanço do dólar, incertezas sobre exportações indianas e menor direcionamento de cana para o açúcar nas usinas do Brasil


Publicado em: 05/02/2026 às 10:53hs

Açúcar recua nas bolsas internacionais com pressão cambial e ajustes na produção brasileira
Cotações do açúcar caem em Nova York e Londres

O mercado internacional de açúcar encerrou a quarta-feira (4) em queda, devolvendo os ganhos obtidos no pregão anterior. A movimentação foi influenciada pela valorização do dólar e pela percepção de maior equilíbrio na oferta global, o que levou investidores a realizarem lucros.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o açúcar bruto fechou em baixa generalizada. O contrato de março/2026 recuou 0,22 centavo, cotado a 14,41 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o maio/2026 registrou 14,05 cents/lbp, queda de 0,13 centavo. Os vencimentos de julho e outubro/2026 também seguiram o movimento, encerrando a 14,03 e 14,34 cents/lbp, respectivamente.

Mercado europeu acompanha tendência de baixa

O açúcar branco negociado em Londres também apresentou desvalorização. O contrato com vencimento em março/2026 caiu US$ 5,80, fechando em US$ 411,80 por tonelada. O maio/2026 perdeu US$ 3,90, cotado a US$ 417,70, enquanto os vencimentos de agosto e outubro/2026 recuaram para US$ 411,30 e US$ 408,30, respectivamente.

A pressão cambial e o comportamento negativo do açúcar bruto em Nova York contribuíram para a retração nos preços europeus, em meio a um cenário de incertezas sobre o ritmo das exportações e da oferta global.

Mercado global avalia safra e exportações

Os investidores seguem atentos às informações divulgadas durante a conferência anual do açúcar, realizada em Dubai, que indicam uma possível redução na produção mundial na safra 2026/27. Analistas apontam que o mercado tende a um maior equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses.

A Índia, um dos maiores produtores mundiais, também deve ter papel decisivo nesse cenário. Segundo analistas do setor, é improvável que o país consiga exportar toda a cota prevista de 1,5 milhão de toneladas no atual ciclo 2025/26, o que pode limitar a disponibilidade do produto no mercado internacional.

Brasil deve reduzir produção de açúcar na próxima safra

No Brasil, o foco está voltado às estratégias das usinas do Centro-Sul, que devem priorizar o etanol na safra 2026/27, prevista para começar em abril. Estimativas indicam que o mix açucareiro será reduzido de 50,5% para 48,3%, o que representa uma queda aproximada de 700 mil toneladas na produção do adoçante.

Mesmo com expectativa de aumento na moagem de cana, a mudança no direcionamento da produção tende a conter a oferta de açúcar e contribuir para a sustentação dos preços no médio prazo.

Etanol registra leve alta e interrompe sequência de quedas

Enquanto o açúcar recuou no mercado internacional, o etanol hidratado teve ligeira valorização nas negociações domésticas. Em Paulínia (SP), o Indicador Diário apontou alta de 0,22%, com o biocombustível sendo comercializado a R$ 3.160,00 por metro cúbico. O movimento interrompe a sequência de baixas observadas nos últimos dias.

Perspectivas para o setor

Com a aproximação do início da nova safra no Brasil e as incertezas sobre o desempenho da produção indiana, o mercado de açúcar deve continuar apresentando volatilidade. A combinação entre menor oferta global e ajustes cambiais pode sustentar os preços no curto prazo, embora o cenário siga dependente das condições climáticas e das estratégias comerciais dos principais exportadores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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