Publicado em: 07/04/2026 às 11:10hs
O mercado de açúcar encerrou a safra 2025/26 com forte recuo nos preços, refletindo um cenário de aumento da oferta global e reequilíbrio entre produção e demanda. A tendência de baixa deve se estender para a safra 2026/27, diante da expectativa de maior disponibilidade do produto no mercado internacional e doméstico.
A safra 2025/26, encerrada em março, foi marcada por uma queda expressiva nas cotações do açúcar em comparação ao ciclo anterior, quando os preços atingiram patamares elevados.
Segundo dados do Indicador CEPEA/ESALQ, o açúcar cristal branco (Icumsa 130–180) em São Paulo registrou média de R$ 116,90 por saca de 50 kg, frente aos R$ 145,28 observados na safra 2024/25 — uma retração próxima de 20%.
Esse movimento foi impulsionado, principalmente, pela ampliação da oferta global, que contribuiu para um ambiente de maior equilíbrio entre oferta e demanda.
Ao longo da temporada, os preços apresentaram oscilações influenciadas por fatores externos, como tensões geopolíticas e incertezas no cenário macroeconômico global.
Esses elementos elevaram a percepção de risco e provocaram variações pontuais nas cotações. No entanto, não foram suficientes para reverter a tendência estrutural de queda observada no mercado.
As projeções iniciais para a safra 2026/27 indicam continuidade do cenário de pressão.
A expectativa de maior disponibilidade de cana-de-açúcar deve impulsionar a produção, ampliando ainda mais a oferta global. Com isso, os preços tendem a oscilar entre estabilidade e novas quedas ao longo do próximo ciclo.
No início de abril, o mercado internacional apresentou variações leves nas bolsas.
Na ICE Futures, em Nova York, os contratos do açúcar bruto registraram pequenas quedas nos vencimentos mais próximos:
Já os contratos de longo prazo tiveram comportamento misto, com algumas valorizações pontuais. Em Londres, não houve atualização das cotações no pregão mais recente.
O aumento da oferta global é o principal fator por trás da queda nos preços internacionais.
Na Índia, a produção da safra 2025/26 (de outubro a março) avançou 9%, alcançando 27,12 milhões de toneladas. Além disso, o país liberou mais 500 mil toneladas para exportação, ampliando a disponibilidade no mercado global.
Outro ponto relevante é a redução do uso de cana para a produção de etanol no país asiático, o que direciona maior volume para a fabricação de açúcar.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta um superávit global de 1,22 milhão de toneladas na safra 2025/26, reforçando o cenário de excedente e pressão sobre os preços.
No Brasil, o aumento da produção também contribui para o movimento de queda.
Dados da UNICA mostram que a região Centro-Sul já produziu 40,25 milhões de toneladas, alta de 0,7% em relação ao ciclo anterior. O mix açucareiro avançou para 50,61%, elevando a participação do açúcar na produção e ampliando a oferta no mercado.
No mercado doméstico, os preços continuam em trajetória de baixa.
O Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo registrou recuo de 0,86% no início da semana, com a saca de 50 kg cotada a R$ 104,16.
No acumulado de abril, a queda já soma 1,23%, sinalizando a continuidade do movimento de ajuste após a valorização observada em março.
O mercado de etanol acompanha a tendência de baixa, ampliando a pressão sobre o setor sucroenergético.
O Indicador Diário Paulínia apontou o etanol hidratado a R$ 2.948,50 por metro cúbico, com recuo de 0,20% no dia. No acumulado do mês, a queda já chega a 2,61%.
Esse cenário reforça o aumento da oferta tanto de açúcar quanto de biocombustível, impactando diretamente a rentabilidade do setor.
O conjunto de fatores — maior produção global, aumento da oferta exportável e avanço da safra brasileira — mantém o mercado de açúcar sob pressão.
A tendência no curto e médio prazo é de preços mais baixos, com oscilações pontuais, mas sem sinais consistentes de recuperação enquanto persistir o excedente global.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias