Setor Sucroalcooleiro

Açúcar reage no mercado internacional, mas preços no Brasil seguem em queda e atingem menor média desde 2019

Mesmo com recuperação nas bolsas de Nova York e Londres, o mercado doméstico permanece pressionado por oferta elevada e mudanças na qualidade do produto; etanol também recua em Paulínia (SP).


Publicado em: 10/02/2026 às 11:55hs

Açúcar reage no mercado internacional, mas preços no Brasil seguem em queda e atingem menor média desde 2019
Açúcar brasileiro registra menor média em mais de cinco anos

O mercado de açúcar no Brasil atravessa um período de retração. De acordo com dados do Cepea/Esalq (USP), o preço do açúcar cristal branco caiu para o menor nível desde setembro de 2019. Na parcial de fevereiro (até o dia 6), o Indicador Cepea/Esalq registrou média de R$ 103,46 por saca de 50 kg, deflacionada pelo IGP-DI. Em valores nominais, o produto chegou a ser negociado na casa dos R$ 100,00/sc, algo que não ocorria desde outubro de 2020.

Segundo os pesquisadores do Cepea, a desvalorização não está ligada à queda na demanda, mas sim à maior presença de açúcar com coloração mais elevada (até 180 Icumsa) nas negociações, o que indica variação na qualidade dos lotes comercializados.

Recuperação técnica impulsiona o açúcar nas bolsas internacionais

Após várias sessões consecutivas de baixa, o açúcar voltou a subir no mercado internacional nesta segunda-feira (9). Na ICE Futures, em Nova York, o contrato março/26 encerrou a 14,35 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,24 centavo (+1,7%). Já o maio/26 subiu 0,25 centavo (+1,8%), fechando em 13,96 cents/lbp.

Em Londres, o açúcar branco também apresentou recuperação. O contrato março/26 fechou a US$ 405,40 por tonelada, avanço de US$ 1,00, enquanto o maio/26 subiu para US$ 414,30/t. A valorização foi motivada por movimentos técnicos de correção após quedas recentes e pela alta do petróleo, que tende a aumentar o uso de cana-de-açúcar para etanol, reduzindo a oferta do adoçante.

Pressão segue no mercado interno

Mesmo com a reação externa, o mercado doméstico manteve viés negativo. Segundo o Cepea/Esalq, a saca de 50 quilos foi negociada a R$ 100,10, queda diária de 0,53% na segunda-feira (9). No acumulado de fevereiro, a desvalorização já chega a 4,57%, refletindo o cenário de excesso de oferta e da pressão sobre os preços internos.

A análise do Notícias Agrícolas aponta que o movimento de alta nas bolsas internacionais esteve relacionado à queda do dólar, que atingiu o menor nível em uma semana, estimulando o fechamento de posições vendidas nos contratos futuros de açúcar.

Etanol hidratado também registra queda em Paulínia (SP)

O mercado de biocombustíveis segue acompanhando o comportamento do açúcar. De acordo com o Indicador Diário de Paulínia (SP), o etanol hidratado foi negociado a R$ 3.135,00 por metro cúbico na segunda-feira (9), representando recuo de 0,25% em relação ao pregão anterior. No acumulado do mês, a desvalorização chega a 0,71%.

Perspectivas

Apesar da leve recuperação nas bolsas internacionais, o mercado global de açúcar ainda enfrenta pressão de oferta, o que limita o avanço dos preços. Analistas acreditam, no entanto, que esse excedente deve diminuir na próxima safra, podendo abrir espaço para uma recuperação mais consistente nas cotações ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

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