Açúcar oscila entre recuperação em Nova York e pressão no mercado interno com clima na Índia e fraqueza do petróleo
Contratos do açúcar apresentam leve alta nas bolsas internacionais, enquanto no Brasil o cristal recua e o etanol avança; clima na Índia e Europa segue como principal fator de suporte para o mercado global da commodity.
Publicado em: 25/06/2026 às 11:30hs
O mercado do açúcar encerrou a quarta-feira (24) em um cenário de ajustes e sinais divergentes entre o ambiente internacional e o mercado doméstico. Em Nova York, os contratos do açúcar bruto apresentaram leve recuperação, enquanto no Brasil o açúcar cristal recuou e o etanol hidratado manteve trajetória de valorização.
A combinação entre fatores climáticos, especialmente na Índia e na Europa, e a fraqueza recente do petróleo continua influenciando diretamente a dinâmica dos preços globais da commodity.
Mercado internacional: leve recuperação em Nova York
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), os contratos futuros do açúcar bruto/demerara encerraram o pregão com variações limitadas, mas com viés positivo nos vencimentos mais longos.
- Contrato julho/26 fechou estável em 13,42 cents de dólar por libra-peso
- outubro/26 avançou para 14,02 cents/lbp
- março/27 subiu para 14,95 cents/lbp
Apesar da leve recuperação, o mercado ainda opera próximo das mínimas recentes de dois meses, refletindo a pressão exercida pela queda do petróleo, que reduz a competitividade do etanol e pode incentivar maior direcionamento da cana para a produção de açúcar.
Clima segue como principal fator de sustentação
O cenário climático permanece como elemento central na formação de preços globais.
Na Índia, segundo análises de mercado, as chuvas de monções seguem abaixo da média histórica, o que aumenta as preocupações com a produtividade da próxima safra no segundo maior produtor mundial de açúcar.
Na Europa, o clima quente e seco também levanta alertas sobre possíveis perdas na produção de beterraba sacarina. Já em outras regiões produtoras da Ásia e da América do Sul, o fenômeno climático El Niño segue no radar como risco adicional de restrição de oferta para 2026.
Esses fatores ajudam a limitar quedas mais fortes nas cotações internacionais, mesmo diante de fundamentos ainda relativamente confortáveis no curto prazo.
Mercado interno: açúcar recua em São Paulo
No Brasil, o indicador do açúcar cristal branco CEPEA/ESALQ registrou queda no estado de São Paulo.
- Preço fechou em R$ 92,44 por saca de 50 kg
- Recuo diário de 1,73%
- Variação mensal de -0,60%
O movimento reflete um mercado físico sensível ao avanço da safra no Centro-Sul, com maior oferta pressionando as negociações e reduzindo espaço para novas altas no curto prazo.
Etanol mantém alta e amplia ganhos no mês
Diferentemente do açúcar, o mercado de etanol hidratado manteve trajetória positiva.
- Indicador Diário Paulínia: R$ 2.371,50 por m³
- Alta de 0,49% no dia
- Ganho acumulado de 0,85% em junho
A leve recuperação do biocombustível ocorre em meio a ajustes de demanda e à recomposição gradual dos preços ao longo do mês, ainda que o setor siga atento à competitividade frente aos combustíveis fósseis.
Perspectivas: mercado dividido entre clima e fundamentos
O mercado internacional do açúcar segue dividido entre dois vetores principais:
De um lado, os riscos climáticos na Índia, Europa e outras regiões produtoras sustentam expectativas de possível aperto na oferta futura. De outro, a queda do petróleo e o cenário atual de disponibilidade ainda confortável limitam movimentos mais consistentes de alta.
No Brasil, o avanço da safra do Centro-Sul mantém pressão sobre o açúcar cristal, enquanto o etanol tenta recuperar competitividade em um ambiente de volatilidade nos energéticos.
O resultado é um mercado ainda lateralizado, com tendência de reação pontual, mas sem direção clara no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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