Publicado em: 20/03/2026 às 11:00hs
O mercado internacional do açúcar apresentou valorização expressiva nesta quinta-feira (19), acompanhando o movimento de alta no petróleo e perspectivas de crescimento na demanda por etanol.
Na ICE Futures em Nova York, os contratos do açúcar bruto registraram os seguintes fechamentos:
Em Londres (ICE Europe), os contratos do açúcar branco também avançaram significativamente:
Analistas destacam que a valorização está atrelada à forte demanda por etanol, estoques baixos das usinas e à expectativa de adoção do E35 no Brasil, que aumentaria a mistura de etanol na gasolina e geraria demanda adicional de até 3,5 bilhões de litros de anidro.
No Brasil, o indicador de açúcar cristal branco em São Paulo, calculado pelo CEPEA/ESALQ, registrou forte valorização. A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 100,51, alta de 2,39% no dia e acumulando 1,95% em março, após sequência de quedas anteriores.
O etanol hidratado em Paulínia (SP) também avançou, sendo cotado a R$ 3.050,00/m³, alta de 0,89% no comparativo diário e de 2,68% no acumulado do mês, influenciado pelo aumento do preço da gasolina, que atingiu a maior cotação em 3,5 anos no mercado futuro.
Além da demanda por etanol, os preços internacionais do açúcar recebem suporte de interrupções no fornecimento global. O fechamento do Estreito de Ormuz, por exemplo, reduziu em cerca de 6% o comércio mundial de açúcar, impactando a produção de açúcar refinado e pressionando os preços para cima.
Segundo Maurício Muruci, da Safras & Mercado, o mix de produção das usinas brasileiras deve priorizar etanol em detrimento do açúcar na safra 2026/27, mantendo a pressão de valorização sobre a commodity.
Com a combinação de alto preço do petróleo, demanda crescente por etanol, e restrições no fornecimento global, analistas apontam que o açúcar deve manter tendência de alta no curto prazo, refletindo diretamente na valorização do mercado interno.
O cenário também reforça a importância da produção integrada de açúcar e etanol no Brasil, já que o comportamento de um mercado impacta diretamente o outro, consolidando o país como player estratégico no comércio internacional de commodities energéticas e alimentares.
Fonte: Portal do Agronegócio
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