Publicado em: 28/05/2026 às 11:30hs
Os mercados internacionais de commodities agrícolas encerraram a quarta-feira em forte baixa, com destaque para o açúcar bruto negociado na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), que atingiu o menor nível em quatro semanas. Café e cacau também registraram perdas, pressionados por expectativas de maior oferta global e pelo movimento de realização de lucros após altas recentes.
O cenário foi marcado pela queda dos preços do petróleo, fortalecimento do dólar frente ao real e avanço acelerado da safra brasileira de cana-de-açúcar, fatores que aumentaram a pressão sobre as cotações do açúcar.
Os contratos futuros do açúcar bruto encerraram o pregão em queda expressiva. O vencimento julho/2026 fechou cotado a 14,14 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 2,75% em relação ao fechamento anterior, atingindo o menor patamar das últimas quatro semanas. Já o contrato outubro/2026 terminou negociado a 14,60 centavos, com recuo de 2,66%.
O açúcar branco também acompanhou o movimento negativo e caiu 1,6%, encerrando a US$ 429,80 por tonelada.
A pressão sobre os preços veio principalmente da queda no petróleo internacional. Com combustíveis mais baratos, aumenta a tendência de as usinas brasileiras direcionarem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, reduzindo a competitividade do etanol.
Além disso, o mercado reagiu aos números divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que apontaram forte crescimento da produção na região Centro-Sul do Brasil.
Segundo a entidade, a fabricação de açúcar na segunda quinzena de abril alcançou 1,8 milhão de toneladas, avanço de 109,48% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Outro fator que reforçou o movimento baixista foi a valorização do dólar frente ao real, cenário que favorece as exportações brasileiras e amplia a competitividade do açúcar nacional no mercado externo.
No mercado cafeeiro, o café arábica registrou queda de 1,5%, encerrando o dia cotado a US$ 2,6985 por libra-peso.
Os investidores seguem monitorando a chegada da nova safra brasileira, que deve elevar significativamente a oferta global nos próximos meses.
Analistas avaliam que o aumento da produção tende a aliviar o aperto na disponibilidade do grão observado recentemente nos principais países consumidores.
O banco Commerzbank destacou que a redução das exportações colombianas ajudou a sustentar os preços nos últimos meses, mas acredita que o cenário deve mudar com o avanço da colheita brasileira e a recuperação da safra da Colômbia no próximo ciclo.
A consultoria Datagro reforçou a expectativa de um mercado mais abastecido e projetou superávit global de 8,75 milhões de sacas na temporada 2026/27, após cinco anos consecutivos de déficit de oferta.
O café robusta também fechou em baixa, com recuo de 1,3%, negociado a US$ 3.472 por tonelada.
Os contratos futuros do cacau também operaram em baixa após a forte valorização registrada na sessão anterior.
Em Londres, o cacau caiu 0,7%, encerrando o pregão a 3.130 libras por tonelada. Em Nova York, o recuo foi igualmente de 0,7%, com contratos fechando a US$ 4.140 por tonelada.
Na terça-feira, os mercados haviam acumulado ganhos próximos de 10%, movimento impulsionado por compras técnicas e ajustes de posição.
Agora, os investidores voltam a observar perspectivas mais favoráveis para a produção na Costa do Marfim, maior produtor mundial da commodity, fator que limita novas altas nos preços internacionais.
Apesar das quedas registradas nesta sessão, operadores destacam que o mercado segue extremamente sensível às condições climáticas no Brasil, ao comportamento do petróleo e às oscilações cambiais.
No caso do açúcar e do café, qualquer mudança relevante no ritmo da safra brasileira poderá alterar rapidamente o humor dos investidores e provocar forte volatilidade nas bolsas internacionais nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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