Publicado em: 12/02/2026 às 11:10hs
O mercado internacional do açúcar segue pressionado e registrou novas quedas nesta quarta-feira (11), tanto nas bolsas internacionais quanto no mercado físico brasileiro. Após uma leve recuperação no início da semana, os preços voltaram a cair, acompanhando o movimento de ajuste técnico e a percepção de ampla oferta mundial para a safra 2025/26.
Na ICE Futures, em Nova York, o contrato março/26 do açúcar bruto recuou 0,28 centavo, fechando a 13,84 centavos de dólar por libra-peso, o menor nível em cinco anos. O contrato maio/26 encerrou a 13,52 cents/lbp, queda de 0,24 centavo, enquanto julho/26 e outubro/26 também perderam força, encerrando a 13,52 e 13,87 cents/lbp, respectivamente.
Segundo operadores, a queda se intensificou após o rompimento do suporte técnico de 14,07 centavos, com o mercado reagindo à expectativa de excedente global de açúcar e à rolagem de posições compradas por fundos de índice, o que aumentou a pressão de venda sobre os contratos mais curtos.
Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o açúcar branco também acumulou perdas significativas. O contrato março/26 despencou US$ 10,90, fechando em US$ 387,20 por tonelada, enquanto o maio/26 caiu US$ 4,50, cotado a US$ 405,00/t.
Os contratos agosto/26 e outubro/26 registraram baixas de US$ 4,20 e US$ 3,40, encerrando a US$ 398,30 e US$ 396,60 por tonelada, respectivamente. O comportamento das cotações em Londres reflete o mesmo cenário de Nova York, com mercado físico abastecido, perspectivas de produção elevada no Brasil e estoques confortáveis em importantes países exportadores.
No mercado interno, o açúcar cristal branco também apresentou desvalorização. De acordo com o Indicador Cepea/Esalq, a saca de 50 kg foi negociada a R$ 99,67 na quarta-feira (11), queda diária de 1,95%. No acumulado de fevereiro, o preço já recuou 4,98%, refletindo a influência do cenário externo e o avanço da safra no Centro-Sul.
A Hedgepoint Global Markets destaca que a tendência de baixa no açúcar deve continuar no curto prazo, influenciada pela proximidade do vencimento do contrato março/26 e pelo avanço da nova safra brasileira, que tende a aumentar a oferta e limitar possíveis recuperações nas cotações.
Durante a Conferência do Açúcar de Dubai, analistas e traders reforçaram a percepção de um mercado mais equilibrado para o ciclo 2025/26, com expectativa de superávit global e recuperação de estoques.
A Hedgepoint, porém, alerta que há incertezas que podem limitar as quedas — como o mix de produção entre açúcar e etanol no Centro-Sul do Brasil e as exportações da Índia, que ainda podem sofrer alterações dependendo de políticas internas do país.
Enquanto o açúcar segue pressionado, o etanol hidratado apresentou leve reação no mercado doméstico. Segundo o Indicador Diário de Paulínia (SP), o biocombustível foi negociado a R$ 3.131,50 por metro cúbico, uma alta marginal de 0,03% frente ao pregão anterior.
Apesar do pequeno avanço, o produto ainda acumula queda de 0,82% em fevereiro, mantendo tendência de acomodação nos preços, influenciada pela demanda ainda contida e pela expectativa de aumento de oferta com o início da moagem da nova safra.
O mercado açucareiro global atravessa um período de correção após meses de volatilidade. A oferta mais ampla prevista para 2025/26 e os ajustes técnicos de fundos e investidores mantêm o tom de cautela.
Analistas avaliam que, embora haja fatores de sustentação — como o comportamento do petróleo e o mix das usinas —, o viés segue baixista no curto prazo, especialmente com a retomada gradual da produção no Brasil e a redução de restrições climáticas em importantes regiões produtoras.
Fonte: Portal do Agronegócio
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