Publicado em: 19/06/2026 às 11:30hs
O mercado internacional do açúcar segue enfrentando forte pressão baixista. Após encerrar a quinta-feira (18) em queda nas principais bolsas globais, a commodity voltou a registrar desvalorização nesta sexta-feira (19), refletindo a combinação de um dólar fortalecido, preços mais baixos do petróleo e perspectivas de aumento da oferta global.
O movimento reforça a tendência de enfraquecimento dos preços observada ao longo de junho, tanto no mercado externo quanto no mercado físico brasileiro, onde o açúcar cristal acumula perdas expressivas.
Na quinta-feira, os contratos futuros do açúcar bruto negociados na Bolsa de Nova York encerraram o pregão em queda. O contrato com vencimento em julho/26 fechou cotado a 13,59 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o outubro/26 terminou o dia em 14,13 centavos e o março/27 em 15,06 centavos por libra-peso.
Já na ICE Futures Europe, em Londres, o açúcar branco também registrou forte recuo. O contrato agosto/26 fechou a US$ 445,30 por tonelada, enquanto os vencimentos outubro/26 e dezembro/26 encerraram a sessão cotados a US$ 437,80 e US$ 434,30 por tonelada, respectivamente.
Nesta sexta-feira, mesmo sem as negociações em Nova York devido ao feriado de Juneteenth nos Estados Unidos, o mercado londrino continuou operando em baixa. No início da manhã, o contrato agosto era negociado a US$ 440,70 por tonelada, enquanto o vencimento outubro recuava para US$ 434,70 por tonelada.
Segundo analistas do setor, a valorização do dólar frente às principais moedas internacionais tem reduzido a competitividade das commodities negociadas na moeda norte-americana, pressionando a demanda global.
Além disso, a queda dos preços do petróleo contribui para ampliar o viés baixista. Com combustíveis mais baratos, o etanol perde atratividade econômica, levando as usinas a destinarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar, o que aumenta a oferta disponível no mercado internacional.
No mercado interno, o cenário também permanece desfavorável para os preços.
De acordo com o indicador do açúcar cristal branco calculado pelo Cepea/Esalq, a saca de 50 quilos foi negociada a R$ 90,75 na quinta-feira, registrando queda diária de 0,80%.
Com o resultado, o indicador acumula retração de 2,42% ao longo de junho, refletindo a maior disponibilidade do produto e a postura cautelosa dos compradores nas negociações do mercado físico.
A combinação entre oferta confortável e demanda mais moderada tem limitado a recuperação das cotações, mesmo diante das incertezas climáticas observadas em importantes países produtores.
Embora os fatores macroeconômicos estejam dominando a formação dos preços neste momento, os investidores seguem atentos aos riscos climáticos para a próxima safra mundial.
Na Índia, segundo maior produtor global de açúcar, o déficit de chuvas durante o período de monções continua gerando preocupação. Dados meteorológicos apontam que o volume acumulado de precipitações até meados de junho permanecia significativamente abaixo da média histórica, condição considerada essencial para o desenvolvimento dos canaviais.
Outro fator acompanhado de perto é o avanço do fenômeno El Niño. A confirmação da formação do evento climático no Oceano Pacífico reacendeu os alertas sobre possíveis impactos nas principais regiões produtoras de açúcar do mundo.
Historicamente, o El Niño pode provocar alterações no regime de chuvas em países como Brasil, Índia e Tailândia, afetando a produtividade agrícola e influenciando diretamente o equilíbrio entre oferta e demanda global da commodity.
Enquanto o açúcar mantém trajetória de queda, o mercado de etanol registrou leve recuperação.
O Indicador Diário Paulínia apontou o etanol hidratado negociado a R$ 2.348,50 por metro cúbico, avanço de 0,13% em relação ao dia anterior.
Apesar da alta pontual, o biocombustível ainda acumula retração de 0,13% no mês, refletindo o ambiente de maior oferta e a influência dos movimentos observados no mercado internacional de energia.
O mercado do açúcar deve continuar sensível aos fatores externos nas próximas semanas. A evolução do dólar, o comportamento dos preços do petróleo e as condições climáticas nas principais regiões produtoras seguirão determinando o rumo das cotações.
Enquanto isso, a expectativa de maior oferta global mantém a pressão sobre os preços, embora eventuais problemas climáticos na Índia, Tailândia ou mesmo no Brasil possam alterar rapidamente o cenário para a safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
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