Publicado em: 18/03/2026 às 12:30hs
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) pode trazer benefícios para os setores brasileiros de açúcar e etanol, mas os impactos no curto prazo devem ser limitados. A avaliação é da Datagro Consultoria, que analisou o desenho negociado entre os blocos e o histórico recente das exportações brasileiras.
Segundo a consultoria, o acordo tende a gerar mais valor agregado do que aumento significativo de volume exportado, uma vez que o acesso ao mercado europeu será condicionado a cotas tarifárias, salvaguardas comerciais e exigências ambientais.
De acordo com os termos negociados, o acordo prevê a criação de uma cota tarifária isenta (TRQ) de 180 mil toneladas por ano para o açúcar produzido pelos países do Mercosul, com tarifa zerada dentro desse limite.
No entanto, volumes exportados acima dessa cota continuarão sujeitos às tarifas tradicionais aplicadas pela União Europeia, que são consideradas elevadas:
Além disso, o acordo mantém um mecanismo de salvaguarda bilateral, que permite à União Europeia suspender temporariamente as importações caso o crescimento das compras externas ultrapasse 5%.
Para o etanol, o acordo prevê uma cota anual de 650 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 812,5 milhões de litros.
Esse volume foi dividido em duas categorias de uso:
Caso o volume exportado ultrapasse essa cota, o produto continuará sujeito à tarifa padrão da Organização Mundial do Comércio (OMC), atualmente em € 0,19 por litro.
Além disso, o acesso ao mercado europeu dependerá do cumprimento das exigências ambientais estabelecidas pela UE.
Os impactos do acordo comercial devem ser um dos principais temas discutidos durante a 10ª edição do DATAGRO Abertura Safra Cana, Açúcar e Etanol, que começa nesta quarta-feira (11), em Ribeirão Preto (SP).
Em declaração enviada ao Agro Estadão, o presidente da Datagro, Plínio Nastari, afirmou que o acordo representa uma oportunidade estratégica para o agronegócio brasileiro, especialmente no longo prazo.
Segundo ele, o principal benefício está na ampliação das possibilidades de cooperação e agregação de valor aos produtos.
“As perspectivas são muito animadoras para o futuro, porque cria-se uma avenida livre para intercâmbio, troca de conhecimento e, principalmente, agregação de valor, o que certamente trará muitos ganhos para o agro do Brasil”, afirmou Nastari.
A análise da Datagro também considera o desempenho recente das exportações brasileiras para a União Europeia.
Em 2025, o Brasil exportou 235,8 milhões de litros de etanol para o bloco europeu, um crescimento de 55,2% em relação ao ano anterior.
Apesar do avanço expressivo, o volume representou 14,6% das exportações totais do setor.
No caso do açúcar, as exportações brasileiras para a União Europeia também apresentaram crescimento significativo.
Em 2025, os embarques totalizaram 886,9 mil toneladas, avanço de 62,8% em comparação ao ano anterior.
Ainda assim, a participação no total exportado pelo Brasil permaneceu relativamente pequena, representando apenas 2,6% das exportações brasileiras de açúcar.
Para especialistas do setor, o acordo entre Mercosul e União Europeia tem potencial para ampliar o acesso do Brasil ao mercado europeu ao longo do tempo. No entanto, fatores como limitações de cotas, tarifas extracota e regras ambientais devem fazer com que os ganhos ocorram de forma gradual.
Nesse cenário, o principal impacto esperado é a valorização dos produtos brasileiros no mercado internacional, especialmente em segmentos que demandam maior sustentabilidade e qualidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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