Processamento

Empresa expande negócio com método de ultrafiltração de sucos

Adotada durante incubação na Embrapa, tecnologia esteriliza sem alterar temperatura do suco


Publicado em: 15/06/2016 às 13:00hs

Empresa expande negócio com método de ultrafiltração de sucos

A indústria Natvita, que participou do Programa de Incubação de Agronegócios da Embrapa (Proeta), acaba de lançar uma linha de sucos clarificados produzidos com a tecnologia de ultrafiltração por membranas. O processo usa membranas com microporos capazes de reter microrganismos e partículas em suspensão. O resultado é um suco límpido e esterilizado a frio. A tecnologia transferida pela Embrapa em 2012 continua impactando positivamente o negócio. A linha de produção da indústria, ampliada neste ano com os sucos de abacaxi, acerola, banana, melancia, melão e manga, está possibilitando atender outras empresas, um segmento antes não explorado.

"As empresas, para se manterem competitivas, devem buscar constantemente a melhoria dos seus processos para serem capazes de se adaptar às novas condições do mercado. A Natvita fez as escolhas certas, investiu e soube esperar”, comenta o pesquisador Vitor Hugo de Oliveira, chefe da Secretaria de Negócios da Embrapa. Para o pesquisador, a associação dos processos de inovação aberta e de incubação de empresas agrega valor no final da cadeia, com consequentes benefícios ao consumidor.

Os sucos produzidos por ultrafiltração por membranas e envasados em sistema asséptico não necessitam de pasteurização. Como não passam por tratamento térmico, as bebidas preservam compostos voláteis termossensíveis importantes na composição do sabor e da qualidade final do produto, características valorizadas pelo mercado consumidor.

A Natvita foi estimulada a adotar a tecnologia pela Embrapa Agroindústria Tropical (CE), quando participava do Programa de Incubação de Agronegócios da Embrapa, o Proeta. “Conhecemos a tecnologia de ultrafiltração por membrana por meio do Proeta. É o que usamos até hoje, é a principal tecnologia da fábrica”, explica o proprietário da indústria e engenheiro Fernando Furlani.

A empresa participou do Proeta como parceira no desenvolvimento do processo de concentração de extrato de carotenoides obtido a partir do resíduo da extração do suco de caju. As fibras que sobram da extração do suco são ricas em carotenoides. Quando esse material é concentrado com a tecnologia de membranas gera um extrato amarelo com forte potencial para aplicação como corante natural.

Fernando Furlani observou que poderia usar a mesma tecnologia aplicada na concentração do extrato de carotenóides para clarificar o suco de caju e produzir uma cajuína de melhor qualidade. Com o tempo, a linha de produção foi ampliada e diversificada. Atualmente a Natvita produz sucos clarificados de abacaxi, acerola, banana, caju, melancia, melão e manga.

“Começamos a usar a tecnologia de ultrafiltração em 2012 apenas com cajuína. No primeiro momento, o faturamento da empresa foi multiplicado por três”, salienta o industrial. A retração econômica não desanima Furlani, que faz planos de utilizar essa tecnologia para produzir uma fibra alimentar antioxidante a partir dos subprodutos gerados na produção de sucos de caju, de manga e de banana.

Outra aposta é introduzir sucos de fruta tropicais no mercado dos EUA, segundo maior mercado consumidor global de sucos. Outro avanço foi no modelo de negócios, anteriormente focado apenas nas vendas para o consumidor. A Natvita passou a atuar também no mercado institucional entre empresas (B2B), fornecendo polpas para outras empresas.

O engenheiro de alimentos da Embrapa que coordenou os projetos e acompanhou o processo de incubação da Natvita, Fernando Abreu, acredita que a tecnologia é um importante passo para que a empresa acesse o mercado internacional. Ele explica que alguns países rejeitam o suco clarificado obtido com uso de gelatina, porque o método pode causar alterações da cor e do sabor do produto ao longo do armazenamento. “A gelatina provoca um escurecimento não enzimático chamado de reação de Maillard, o que dificulta a aceitação do produto no mercado internacional”, explica Abreu.

Fernando Abreu afirma, ainda, que o equipamento utilizado no processamento apresenta um alto rendimento se comparado ao método tradicional de produção de suco clarificado e gera uma quantidade menor de resíduos. Por isso, embora exija um maior investimento inicial, a adoção do método compensa. “A tecnologia promove um aumento de produtividade e proporciona um produto final de alta qualidade, sem resíduos sobrenadantes e com uma limpidez muito atrativa”, diz.

Hoje, a tecnologia de membranas é utilizada não só na produção de sucos, mas também de cerveja, vinhos, leite e tem larga aplicação no processo de dessalinização de água. A viabilidade técnica e econômica do uso da microfiltração e da ultrafiltração por membranas tem aumentado sensivelmente devido, entre outros motivos, aos avanços na tecnologia de fabricação de membranas, com redução dos custos de aquisição, operação e manutenção.

Mercado em expansão

O mercado brasileiro de sucos e néctares de frutas prontos para beber está em expansão. Em 2014, atingiu um volume de 1,025 bilhão de litros, 11% acima do ano anterior e 65% em relação ao patamar de 2010, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA). Quando analisado o consumo per capita de sucos de frutas, em litros por ano, percebe-se que as vendas internas ainda podem crescer consideravelmente.Enquanto a Nova Zelândia, primeiro lugar no ranking, consome 26,30 litros (por habitante / ano), o Brasil consome em média 5,4 litros de sucos prontos para beber por ano. Para Furlani, o mercado brasileiro tem muitas oportunidades, mas o empresário recomenda cautela. “O empreendedor não deve entrar em aventuras. É preciso estudar muito bem o ramo de atuação, e de preferência trabalhar um tempo no ramo escolhido em empresa já existente”, sugere.

Fonte: EMBRAPA

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