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Instituto de economia agrícola defende pesquisa e logística, temas privilegiados da Fenasucro 2013

Sérgio Alves Torquato, pesquisador científico do Instituto de Economia Agrícola (IEA) aponta segmentos que carecem de maior investimento e pesquisa


Publicado em: 02/05/2013 às 18:10hs

Instituto de economia agrícola defende pesquisa e logística, temas privilegiados da Fenasucro 2013

A FENASUCRO 2013 - 21ª Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergético não é apenas uma feira de negócios voltada ao setor da cana-de-açúcar. É também local para atualização profissional, discussões e mobilização do empresariado em prol do desenvolvimento do setor. Por isso, mostra-se alinhada com os diversos institutos de pesquisa que promovem estudos visando o fortalecimento da indústria brasileira. Um dos exemplos é o  Instituto de Economia Agrícola (IEA), primeira instituição a sistematizar os estudos sobre economia agrícola no Brasil. Para Sérgio Alves Torquato, pesquisador científico do IEA, a hora é de pesquisa e incentivo à produtividade do setor sucroenergético, sem descuidar da logística e da boa gerência nas usinas.

O pesquisador explica que, hoje, a ociosidade das usinas no Centro-Sul está em torno de 25%. Dessa forma, o aumento da mistura de etanol anidro à gasolina, na proporção de 25%, pode trazer incremento na demanda por esse combustível. “Não resolve o problema, mas ajuda no aumento da demanda. A ociosidade das usinas é relacionada à capacidade de moagem. Não há cana suficiente, por conta da queda de produtividade das últimas safras. É necessário o aumento da produtividade no campo, e isso se faz com mais investimento em renovação, tecnologia e inovação”. Mesmo assim, as projeções da safra 2013/2014 dão espaço para otimismo. Em março a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que a produção brasileira de cana deve crescer 11% na safra 2013/14 para 653,8 milhões de toneladas, com base em levantamento realizado entre os dias 3 e 16 de março. Um dos fatores de crescimento foi o aumento da área destinada à cultura, que cresceu 4,8% neste ano, para 8,89 milhões de hectares. A produtividade média dos canaviais deve ser 5,9% maior, em torno de 73,52 toneladas por hectare.

A grande lição destas últimas safras para o setor é que as boas práticas no campo (manejo, tratos culturais) devem ser priorizadas sempre, e o conhecimento na produção de cana convencional ou de primeira geração é muito importante para o sucesso e sustentação do setor. O desafio é ser competitivo e ter sustentação técnica e principalmente econômica no atual cenário. E uma das apostas mais populares é o etanol celulósico, também comentado por Torquato.

“O etanol celulósico é promissor e o Brasil pode liderar a produção deste combustível. A tecnologia para produção de etanol celulósico é conhecida e está sendo aperfeiçoada para que seja viável economicamente. O especialista do IEA explica que “há diversas frentes de trabalho em operação com resultados favoráveis e que devem já entrar em operação em escala comercial no fim de 2013 ou em 2014”. O grande gargalo para avançar no etanol de segunda geração, além do custo alto de produção, é justamente o avanço e melhoramento da cana convencional”. Caberá ao setor sucroenergético balancear também a disputa entre o bagaço e palha como matérias-primas na produção do etanol celulósico, em detrimento ao uso como fonte de produção de bioeletricidade. “O custo de recolhimento da palha ainda é um obstáculo. Para amenizar esse problema de oferta de palha e bagaço é preciso investir em pesquisa de variedades direcionadas e aumento da produtividade da cana, e melhoria na eficiência das caldeiras e de processo de geração de energia elétrica”.

Logística com setor exclusivo na Fenasucro 2013

“O problema de infraestrutura e logística não é só do setor, mas este também sofre com o problema. A solução é desafogar o modal rodoviário e investir em ferrovias e dutos para escoar a produção tanto de açúcar como de etanol, seja para o mercado interno como externo. Também é preciso lembrar a logística no campo, ou seja, no transporte de cana até a usina, com espaço para melhorias na eficiência”, finaliza Sérgio Torquato em sua análise.

No Brasil, a logística representa custo de 10% do PIB nacional, e esse custo poderia ser menor se houvesse mais infraestrutura. Atrasos nas entregas, acidentes, prejuízo e perdas de vidas tomam cerca de R$ 22 bilhões anuais, calcula o CEISE Br – organizador da feira, que é promovida pela Reed Multiplus, marca associada a Reed  Exhibitions Alcantara Machado. Na edição deste ano da Fenasucro, um novo setor dedicado a logística deve incentivar negócios e chamar atenção de empresários para a importância de novos caminhos para a logística e transporte.  A iniciativa tem a adesão de importantes agentes deste setor, como da ESALQ-LOG e PECEGE, grupos de Pesquisa da ESALQ/USP, que organizará a programação de palestras do 1º Seminário de Transporte e Logística, para debater com especialistas desde a logística inbound da produção canavieira até a logística marítima internacional. O seminário acontecerá simultaneamente à Fenasucro.

A Fenasucro acontece de 27 a 30 de agosto, no Centro de Eventos Zanini em  Sertãozinho-SP, e integrará em um único evento setores das já tradicionais FENASUCRO e AGROCANA, para proporcionar aos visitantes o contato com a parte agrícola e industrial na mesma oportunidade. Na NOVA FENASUCRO, os expositores terão a chance de estar em contato com os maiores representantes de todas as áreas do setor sucroenergético.

Mais informações em www.fenasucro.com.br

Fonte: 2PRÓ Comunicação

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