Publicado em: 06/07/2026 às 14:30hs
Com a aproximação do período seco e a queda na qualidade das pastagens em grande parte do país, a suplementação intensiva na fase final de engorda ganha destaque como ferramenta estratégica na pecuária de corte. O manejo permite acelerar o ganho de peso dos animais, reduzir a dependência do pasto e melhorar a eficiência produtiva dos sistemas a pasto.
A prática, conhecida como Terminação Intensiva a Pasto (TIP), vem sendo adotada como alternativa para equilibrar desempenho animal e preservação das áreas de pastagem, especialmente em momentos de restrição de forragem.
De acordo com especialistas do setor, a suplementação intensiva tem como principal objetivo reduzir a dependência do capim como fonte exclusiva de nutrientes, permitindo melhor aproveitamento das áreas de pastagem durante o período de transição para a seca.
Com esse manejo, os animais passam a consumir menor volume de forragem para atingir o ganho de peso desejado, o que contribui para a recuperação do pasto em um momento em que a produção de massa verde tende a cair.
Segundo a gerente nacional de Nutrição da Supremax, Mariana Lisboa, a estratégia é mais eficiente quando aplicada no momento correto do ciclo produtivo.
“O momento ideal para intensificar a suplementação é quando a curva de crescimento das pastagens desacelera ou quando os animais já atingem cerca de 13 a 14 arrobas, entrando na fase final de engorda”, explica.
A utilização de suplementação intensiva bem planejada pode gerar impacto significativo no desempenho do rebanho. Segundo a especialista, o ganho médio diário (GMD) pode sair de cerca de 500 gramas para mais de 1,2 quilo por animal ao dia.
“Esse avanço acelera a terminação, melhora o acabamento de carcaça e permite ao produtor entregar animais dentro do padrão exigido pelos frigoríficos em menos tempo”, destaca Mariana.
Além do ganho de peso, o sistema também contribui para maior uniformidade dos lotes e melhor eficiência na conversão alimentar.
Outro ponto relevante da suplementação intensiva é a redução da pressão de pastejo. Em situações de superlotação e baixa disponibilidade de forragem, há maior risco de degradação do solo e comprometimento da rebrota das gramíneas.
Além disso, os animais gastam mais energia na busca por alimento, o que reduz o desempenho e pode atrasar o ciclo de terminação.
Com a suplementação, o sistema se torna mais equilibrado, permitindo melhor uso das pastagens e maior estabilidade produtiva ao longo do ano.
A eficiência da terminação depende diretamente do equilíbrio entre energia e proteína na dieta dos animais. Esses nutrientes desempenham funções complementares no desenvolvimento do rebanho.
“O equilíbrio entre energia e proteína é fundamental. A energia favorece o acabamento de carcaça, enquanto a proteína auxilia no desenvolvimento muscular e melhora o aproveitamento da fibra do pasto”, explica Mariana Lisboa.
Quando bem ajustada, a nutrição permite maior produção de arrobas em menor tempo, otimizando o sistema produtivo.
A adoção da suplementação intensiva também traz benefícios financeiros para o produtor rural. Com a redução do tempo de terminação, há aceleração do giro de capital e diminuição do custo fixo por animal.
Além disso, a liberação mais rápida das áreas de pastagem permite melhor organização do rebanho, favorecendo categorias mais jovens, que dependem de pastos de melhor qualidade para maior desempenho.
Apesar dos ganhos, especialistas alertam que a implementação do sistema exige manejo adequado. A transição alimentar deve ser gradual para evitar distúrbios metabólicos nos animais.
Outro ponto crítico é a estrutura de cochos, que deve garantir espaço suficiente para evitar competição e assegurar consumo uniforme do suplemento no lote.
Entre as soluções utilizadas na suplementação intensiva, empresas do setor têm desenvolvido produtos específicos para aumentar a eficiência alimentar na fase de engorda. Formulações como rações de semi-confinamento, terminação e dieta total são voltadas para potencializar o ganho de peso e manter a produtividade mesmo em períodos de baixa oferta de pasto.
A tendência na pecuária de corte é a integração cada vez maior entre manejo de pastagem e nutrição estratégica. A combinação dessas duas frentes permite maior eficiência produtiva ao longo do ano, melhor uso dos recursos disponíveis e maior rentabilidade da atividade.
“A pecuária moderna exige integração entre manejo e nutrição. Quando essas ferramentas trabalham juntas, a fazenda produz mais e com melhor eficiência econômica”, conclui a especialista.
Fonte: Portal do Agronegócio
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