Publicado em: 02/02/2026 às 09:30hs
2025 reforça a importância da qualidade dos grãos na nutrição animal
O ano de 2025 consolidou uma tendência crescente no setor de nutrição animal: a qualidade dos grãos deixou de ser apenas um tema operacional e passou a integrar decisões estratégicas de toda a cadeia. Em meio a volatilidade de preços, desafios logísticos e pressão por eficiência, o mercado precisou focar não apenas no volume produzido, mas na conservação, estabilidade e segurança das matérias-primas.
Segundo especialistas do setor, o consumo global de grãos para alimentação animal atingiu 1,048 bilhão de toneladas, cerca de 45% de todo o volume de grãos disponível no mundo no ciclo 2024/25. No Brasil, a indústria de alimentação animal encerrou o ano com crescimento próximo a 2,8%, totalizando cerca de 90 milhões de toneladas de rações e concentrados, impulsionadas principalmente pelos setores de aves e suínos.
Apesar da safra recorde brasileira de 339,6 milhões de toneladas de grãos, alta de 14,2% em relação ao ano anterior, a infraestrutura de armazenagem seguiu sendo um desafio.
O déficit estimado em mais de 120 milhões de toneladas aumentou os riscos de deterioração física e microbiológica, além da geração de finos e poeira durante o manuseio.
Pamela Marquesin, Gerente de Serviços Técnicos da Kemin, observa:
"Grãos mal conservados impactam a digestibilidade, a estabilidade nutricional e a segurança do alimento, além de afetar a operação das fábricas."
Estima-se que até 15% do volume colhido possa ser perdido globalmente devido a umidade inadequada, pragas e falhas no controle durante transporte e armazenagem.
As condições climáticas de 2025 contribuíram para o aumento de desafios sanitários. Períodos prolongados de umidade elevada favoreceram o crescimento de fungos e a formação de micotoxinas, risco presente em até 69% das amostras de grãos e rações analisadas globalmente.
"Temperatura e umidade elevadas aceleram a quebra dos grãos e a formação de pó, criando ambiente propício a contaminações microbiológicas, o que impacta diretamente a estabilidade dos ingredientes e os resultados zootécnicos", explica Marquesin.
A qualidade das matérias-primas influencia diretamente os custos de formulação e o desempenho animal. Grãos com excesso de umidade, maior teor de finos ou contaminações podem elevar os custos em 10% a 15%, considerando ajustes nutricionais e perdas técnicas.
Além disso, a eficiência alimentar pode ser afetada, aumentando as exigências nutricionais em 3% a 8%, dependendo da espécie e fase produtiva.
"Grãos bem conservados apresentam maior digestibilidade, menor variabilidade e reduzem riscos subclínicos de micotoxinas, refletindo em ganho de peso, conversão alimentar e mortalidade", acrescenta Pamela.
Em 2025, a segurança do alimento passou a ser avaliada de forma integral, incluindo rastreabilidade, controle de contaminantes e segurança operacional.
"O controle de poeira, por exemplo, deixou de ser apenas um detalhe operacional e passou a ser crítico para a segurança do alimento, das pessoas e das instalações", destaca a gerente da Kemin.
O principal legado de 2025 é a necessidade de gestão preventiva e sistêmica da qualidade. Monitoramento contínuo, conservação adequada e tecnologias que preservem a integridade física e nutricional dos grãos foram essenciais para reduzir riscos e manter competitividade.
Para 2026, a expectativa é de maior adoção de tecnologias digitais, integração de dados entre campo e fábrica e protocolos mais robustos de controle.
Com o mercado global de grãos projetado para crescer a um CAGR de 3,4% até 2035, a eficiência no uso e conservação das matérias-primas será cada vez mais um diferencial competitivo.
"A inovação não está apenas no ingrediente, mas na integração entre ciência, tecnologia e serviços técnicos. Esse modelo permite reduzir perdas invisíveis, aumentar a previsibilidade e sustentar uma nutrição animal mais segura, eficiente e sustentável", conclui Pamela Marquesin.
Fonte: Portal do Agronegócio
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