Indústria de ração investe em fábricas inteligentes para reduzir custos e aumentar competitividade em 2026
Com produção brasileira de ração estimada em 97 milhões de toneladas, setor de nutrição animal acelera digitalização das plantas industriais para diminuir perdas, ampliar rastreabilidade e proteger margens diante da alta dos insumos.
Publicado em: 16/07/2026 às 15:00hs
A indústria brasileira de nutrição animal está passando por uma transformação estrutural em 2026, impulsionada pela necessidade de maior eficiência operacional em um cenário de custos elevados de matérias-primas e pressão sobre as margens.
Com a produção nacional de ração projetada em 97 milhões de toneladas neste ano, segundo estimativas do setor, grandes grupos agroindustriais estão acelerando investimentos na modernização das fábricas, migrando de modelos tradicionais para plantas totalmente integradas e conectadas.
A nova geração de unidades industriais combina automação, engenharia de processos e inteligência de dados para integrar etapas como armazenagem, moagem, dosagem, mistura e expedição. O objetivo é reduzir custos por tonelada produzida, minimizar desperdícios e garantir maior controle sobre toda a cadeia produtiva.
Digitalização das fábricas se torna estratégia para preservar margens
Durante anos, a automação industrial foi vista como um diferencial competitivo. Agora, passou a ser considerada uma necessidade estratégica para garantir rentabilidade.
Segundo Franklin Oliveira, Gerente Nacional de Indústrias & Portos da AGI Brasil, empresa especializada em soluções para armazenamento e movimentação de grãos, a precisão operacional tornou-se fundamental para a sustentabilidade financeira das fábricas de ração.
“A alimentação representa uma parcela significativa dos custos da produção animal. Nesse cenário, plantas que operam com sistemas integrados conseguem reduzir desperdícios de insumos e preservar a margem de lucro da operação”, afirma.
A alimentação animal representa entre 70% e 80% dos custos totais da produção de aves e suínos, tornando qualquer ganho de eficiência no processamento um fator decisivo para a competitividade do produtor e da indústria.
Fábricas conectadas unem escala industrial e precisão produtiva
A modernização das plantas de ração vai além da instalação de equipamentos automatizados. O conceito atual envolve a criação de um fluxo industrial inteligente, capaz de integrar informações operacionais e reduzir falhas durante todas as etapas do processo.
De acordo com Oliveira, a competitividade do setor passa pela capacidade de combinar produção em larga escala com controle preciso.
“Não se trata apenas de construir uma estrutura, mas de projetar um fluxo inteligente que elimine gargalos logísticos e falhas de dosagem. O mercado de ração exige escala industrial com precisão para assegurar eficiência na conversão alimentar”, explica.
Com sistemas integrados, as indústrias conseguem monitorar indicadores em tempo real, otimizar o uso de matérias-primas e melhorar a padronização dos produtos.
Rastreabilidade ganha importância com avanço das exportações
Além da redução de custos, outro fator que impulsiona a digitalização das fábricas é a crescente exigência por segurança sanitária e rastreabilidade nos mercados consumidores.
Plantas altamente conectadas permitem acompanhar cada etapa da produção, desde a entrada da matéria-prima até a expedição do produto final.
Esse controle reduz riscos de contaminação cruzada, melhora a gestão dos lotes e aumenta a capacidade de resposta das empresas diante de exigências de clientes nacionais e internacionais.
“A integração total permite que as grandes marcas tenham controle absoluto do produto. Caso um mercado internacional questione qualquer parâmetro de um lote, a indústria conectada consegue fornecer uma resposta técnica rapidamente. É a engenharia aplicada para transformar dados em segurança de mercado”, destaca Oliveira.
Agroindústria amplia investimentos em infraestrutura inteligente
O avanço da verticalização das cadeias de proteína animal deve acelerar a busca por soluções industriais mais eficientes.
Grandes empresas que controlam diferentes etapas da produção, desde a fabricação da ração até a criação e processamento dos animais, precisam de estruturas capazes de administrar simultaneamente o fluxo físico de produtos e grandes volumes de dados.
Nesse cenário, a engenharia industrial passa a ocupar posição estratégica para o crescimento do setor.
Automação deve sustentar expansão da cadeia de proteínas
A expectativa é que os investimentos em infraestrutura conectada continuem avançando ao longo de 2026, acompanhando a necessidade de maior eficiência, sustentabilidade e competitividade da indústria brasileira de proteína animal.
Para especialistas, a adoção de fábricas inteligentes representa uma ferramenta para reduzir impactos das oscilações do mercado global de commodities, melhorar o aproveitamento dos recursos e fortalecer a posição do Brasil como um dos principais fornecedores mundiais de alimentos.
Ao transformar dados em decisões e processos tradicionais em operações integradas, a indústria de ração busca uma nova etapa de produtividade baseada em tecnologia, precisão e controle operacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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