Nutrição animal eleva qualidade da carne e impulsiona evolução da pecuária brasileira
Em entrevista ao Portal do Agronegócio, Pedro Veiga, gerente global de Tecnologia de Bovinos de Corte da Cargill Nutrição Animal, explica como a alimentação influencia marmoreio, maciez, rendimento de carcaça e padronização dos cortes
Publicado em: 08/09/2026 às 14:45hs
Pedro Veiga: Zootecnista e gerente global de Tecnologia de Bovinos de Corte da Cargill Nutrição Animal.
Por: Gabriela Salazar
A qualidade da carne bovina começa muito antes de o produto chegar à mesa do consumidor. Fatores como genética, manejo, bem-estar animal e condições sanitárias são determinantes, mas a nutrição ocupa posição estratégica por influenciar diretamente o desenvolvimento dos animais, o desempenho produtivo e importantes características da carcaça.
Uma alimentação equilibrada, formulada de acordo com as necessidades de cada fase da produção, pode contribuir para melhorar o acabamento de gordura, o nível de marmoreio, a maciez, o rendimento de carcaça e a uniformidade dos cortes. Esses atributos ganham relevância à medida que consumidores, frigoríficos e mercados internacionais passam a exigir carnes mais padronizadas, seguras e com maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, a pecuária brasileira atravessa um processo contínuo de transformação. A incorporação de tecnologias, os avanços na nutrição e na saúde animal e a profissionalização da gestão vêm permitindo produzir mais carne com maior eficiência, previsibilidade e melhor aproveitamento dos recursos disponíveis nas propriedades.
Para explicar como a nutrição animal se conecta à qualidade da carne e à evolução da pecuária nacional, o Portal do Agronegócio, com a colaboração de Gabriela Salazer, da CDI Conteúdo Digital, entrevistou Pedro Veiga, gerente global de Tecnologia de Bovinos de Corte da Cargill Nutrição Animal.
Na entrevista, o especialista aborda os principais fatores nutricionais que interferem no produto final, a contribuição das novas tecnologias para o aumento da eficiência produtiva e os caminhos para atender a um mercado cada vez mais atento à qualidade, à regularidade e à sustentabilidade da carne bovina.
Por que algumas carnes são mais macias e saborosas do que outras?
A maciez e o sabor da carne são influenciados por vários fatores, sejam eles intrínsecos aos animais em si, tais como raça, classe sexual, idade, grau de acabamento, tipo e localização do músculo, grau de marmoreio da carne, etc, e por fatores extrínsecos, mais ligados ao sistema de produção, como tipo de dieta (pasto ou confinamento), tipo de ingredientes utilizados, nível de suplementação, processo pre abate, processo pós abate (como maturação da carne) etc. Todos esses fatores interagem entre si para determinar o sabor e a maciez da carne.
Qual é o papel da nutrição na qualidade da carne bovina?
A nutrição impacta de forma direta e indireta na qualidade da carne. Diretamente por influenciar o perfil de ácidos graxos que serão depositados na carne, o nível de marmoreio, a capacidade anti-oxidante do músculo e consequentemente da carne, etc. E de forma indireta por influenciar na velocidade do ganho de peso do animal, que por sua vez determinará a idade em que o animal atinge o ponto de abate. Carne de animais mais jovens geralmente é mais macia do que de animais mais velhos.
Além da alimentação, como o manejo e o bem-estar dos animais podem influenciar a carne?
Influenciam diretamente. Animais que passam por estresse pré-abate terão comprometimento da qualidade da carne. Manejo correto, respeitando-se as boas práticas de bem estar animal são fundamentais para garantir a qualidade da carne. Fatores ligados a pH da carne, capacidade de retenção de líquidos, e consequentemente suculência, cor, sabor e maciez são afetados pelo manejo dos animais e pelo bem estar em etapas pré abate.
Como a evolução da pecuária brasileira tem contribuído para carnes mais padronizadas?
Os investimentos realizados pelos pecuaristas ao longo dos anos em melhoramento genéticos dos animais, nutrição, sanidade, manejo, ambiência, bem estar, etc tem contribuído para a produção de animais cada vez mais jovens, pesados, com melhor acamento de carcaças e em alguns casos níveis mais altos de marmoreio na carne. A evolução da indústria frigorífica nos processos pré e pós abate também tem contribuído bastante para assegurar a produção de carnes mais padronizadas e de melhor qualidade. Ainda há muito o que evoluir, mas a pecuária brasileira tem feito seu papel de forma eficiente nos últimos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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