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Maquinas e Implementos

Inteligência artificial acelera criação de máquinas agrícolas e amplia eficiência no campo

Tecnologia permite analisar grandes volumes de dados, testar diferentes cenários e antecipar falhas, reduzindo o tempo de desenvolvimento de tratores, colheitadeiras, pulverizadores e plantadeiras


Publicado em: 08/09/2026 às 08:00hs

Inteligência artificial acelera criação de máquinas agrícolas e amplia eficiência no campo

A inteligência artificial está transformando a engenharia de máquinas agrícolas. Incorporada às etapas de análise, simulação e validação, a tecnologia amplia a capacidade das equipes de avaliar alternativas, identificar possíveis problemas e aperfeiçoar projetos antes mesmo da fabricação dos primeiros protótipos.

O avanço pode tornar mais rápido o desenvolvimento de tratores, colheitadeiras, pulverizadores, plantadeiras e motores. Além de encurtar processos, a IA ajuda a criar equipamentos mais precisos, confiáveis e preparados para as diferentes condições encontradas nas lavouras brasileiras.

IA pode elevar produtividade da engenharia em até 40%

Na AGCO, fabricante responsável por marcas como Massey Ferguson, Valtra e Fendt, a inteligência artificial já integra o processo de desenvolvimento de produtos, complementando ferramentas digitais utilizadas pelas equipes de engenharia.

Segundo Paulo Vilela, diretor de Engenharia da companhia, estudos recentes conduzidos em ambientes de engenharia e desenvolvimento de software apontam ganhos de produtividade entre 20% e 40% nas atividades de análise, simulação e desenvolvimento apoiadas por IA.

Na prática, a tecnologia possibilita avaliar um número maior de alternativas, acelerar cálculos e reconhecer potenciais falhas ainda nas etapas virtuais. Dessa forma, as equipes conseguem aprimorar os projetos antes de avançar para a construção e os testes dos equipamentos.

Desenvolvimento de uma máquina pode levar até quatro anos

Apesar dos avanços tecnológicos, criar uma máquina agrícola continua sendo um processo complexo. Dependendo do equipamento, o trabalho pode durar de três a quatro anos e envolver mais de 300 engenheiros.

O desenvolvimento também mobiliza profissionais das áreas de manufatura, qualidade, validação, compras, marketing e atendimento ao cliente. O trabalho começa com o levantamento das necessidades dos produtores e das particularidades das diferentes operações agrícolas.

De acordo com Vilela, a fabricação é apenas uma das etapas finais de um processo iniciado muito antes, com a escuta dos agricultores, o estudo dos desafios operacionais e a avaliação de diferentes alternativas técnicas.

Simulações virtuais antecipam problemas nos equipamentos

Antes da produção de qualquer componente, os engenheiros utilizam modelos digitais para verificar como estruturas, sistemas mecânicos e componentes eletrônicos devem responder em diferentes situações de trabalho.

A inteligência artificial complementa essas ferramentas ao processar grandes volumes de dados em menor tempo. Isso ajuda os especialistas a comparar soluções, reconhecer padrões e tomar decisões técnicas ao longo do desenvolvimento.

O uso de ambientes virtuais também permite reduzir retrabalhos e direcionar os testes físicos para os pontos mais críticos do equipamento.

Produtores ajudam a definir funcionalidades das máquinas

A participação dos produtores rurais permanece essencial na criação de novos equipamentos. As equipes de engenharia coletam informações diretamente nas propriedades para compreender as dificuldades enfrentadas pelos operadores e encontrar oportunidades de melhoria.

As demandas identificadas no campo são convertidas em requisitos técnicos e podem resultar em mudanças de componentes, sistemas eletrônicos, comandos, softwares e características relacionadas à ergonomia.

Essa interação permite que as máquinas sejam projetadas considerando necessidades reais, como aumento da capacidade operacional, redução de perdas, economia de combustível, facilidade de manutenção e conforto do operador.

Protótipos enfrentam milhares de horas de testes

Após as simulações digitais, o projeto avança para a construção e a validação dos protótipos. Os equipamentos são submetidos a ensaios em laboratório e a avaliações em condições reais de operação.

Os testes reproduzem situações encontradas em diferentes regiões agrícolas do Brasil, levando em consideração clima, relevo, tipos de solo, poeira, umidade e intensidade de uso. Em determinados projetos, a validação pode acumular milhares de horas de trabalho.

Durante esse período, sensores instalados nas máquinas registram continuamente informações sobre desempenho, esforço dos componentes, consumo e funcionamento dos sistemas. Os dados retornam às equipes de engenharia e orientam ajustes mecânicos, eletrônicos e digitais.

Inteligência artificial também avança dentro das máquinas agrícolas

Além de apoiar a engenharia, a inteligência artificial está presente nos próprios equipamentos utilizados nas lavouras. A integração entre sensores, conectividade, processamento de imagens, softwares e automação permite interpretar informações em tempo real e executar operações com maior precisão.

Esses recursos podem apoiar o direcionamento automático, o controle da aplicação de insumos, o monitoramento do desempenho e a identificação de variações durante o trabalho. O objetivo é aumentar a eficiência das operações agrícolas e aproveitar melhor máquinas, combustível, sementes, fertilizantes e defensivos.

Brasil ganha espaço no desenvolvimento global de equipamentos

O Brasil ocupa posição estratégica na pesquisa e no desenvolvimento de máquinas agrícolas. A AGCO mantém centros de engenharia em Mogi das Cruzes (SP), Canoas (RS) e Ibirubá (RS).

As unidades participam da criação e da validação de tecnologias destinadas a tratores, pulverizadores, colheitadeiras, plantadeiras e motores. Alguns projetos desenvolvidos por equipes brasileiras são posteriormente produzidos e comercializados em outros países.

Para Vilela, a expansão da inteligência artificial na engenharia acompanha uma transformação observada em diferentes segmentos industriais. No agronegócio, a tecnologia tende a acelerar análises, ampliar a capacidade de testes e apoiar a criação de equipamentos voltados a uma agricultura cada vez mais produtiva, precisa e eficiente.

Fonte: Portal do Agronegócio

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