Publicado em: 24/03/2026 às 18:00hs
O novo Boletim do Leite divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada traz um panorama atualizado do mercado lácteo brasileiro, destacando a recuperação nos preços ao produtor no início de 2026, além de desafios relacionados aos custos de produção e ao avanço das importações.
O preço do leite pago ao produtor registrou reação em janeiro de 2026, interrompendo uma sequência de nove meses consecutivos de retração.
Segundo cálculos do Cepea, o valor médio nacional (“Média Brasil”) para o leite captado em janeiro foi de R$ 2,0216 por litro, representando:
Os dados foram ajustados pela inflação medida pelo IPCA, evidenciando que, apesar da recuperação recente, o patamar ainda está significativamente abaixo do registrado no ano anterior.
Após meses de desvalorização, os preços dos derivados lácteos voltaram a subir em fevereiro, especialmente no mercado atacadista de São Paulo.
Levantamento do Cepea, realizado com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras, aponta que:
Apesar da recuperação mensal, os preços ainda permanecem abaixo dos níveis observados no mesmo período de 2025.
Mesmo com o avanço das exportações, o Brasil segue com saldo negativo na balança comercial de lácteos, pressionado pelo crescimento das importações.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior analisados pelo Cepea:
Com isso, o déficit da balança comercial chegou a:
O cenário evidencia a forte dependência do mercado externo para suprir a demanda interna.
Os custos de produção da atividade leiteira voltaram a subir em fevereiro, mantendo a tendência de pressão sobre as margens dos produtores.
Segundo o Cepea, o aumento foi impulsionado principalmente por:
Esse movimento foi observado nos principais estados produtores acompanhados pela instituição, reforçando o desafio econômico enfrentado pelo setor.
O cenário atual indica uma recuperação inicial nos preços do leite e derivados, porém ainda insuficiente para compensar as perdas acumuladas e o avanço dos custos.
Além disso, o aumento das importações segue como um fator de atenção, podendo limitar uma recuperação mais consistente do mercado lácteo brasileiro ao longo de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
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