Frigoríficos e Abatedouros

Venda de carne à China recua

Principal responsável pela recuperação das exportações brasileiras de carne bovina neste ano, a China protagoniza, agora, uma queda de braço com os frigoríficos brasileiros que poderá se refletir em uma forte retração das vendas ao país asiático neste mês


Publicado em: 17/06/2016 às 18:40hs

Venda de carne à China recua

Há pelo menos três semanas, JBS e Marfrig praticamente não fecham pedidos de vendas para os chineses. O pano de fundo dessa história é o câmbio, que reduziu a rentabilidade das exportações brasileiras de carnes.

Líder nas exportações brasileiras de carne bovina, a JBS cortou o ritmo de vendas para a China em cerca de 70%, afirmou ontem o presidente da divisão de carnes da empresa no Brasil, Renato Costa, em entrevista coletiva após participar de debate na BeefExpo, evento que aconteceu em São Paulo.

De acordo com o executivo, a redução do número de pedidos de vendas aos chineses começou em maio, logo após a feira de alimentos Sial, que ocorreu naquele país. Na avaliação de Costa, foi durante a feira que os chineses se deram conta de que poderiam fazer pressão para reduzir os preços da carne bovina vendida pelo Brasil. Em reação, a JBS e outros frigoríficos brasileiros decidiram segurar as vendas à China. O resultado dessa estratégia ainda não se refletiu nos resultados das exportações brasileiras porque já havia contratos fechados com programações de entrega.

Na Marfrig, os pedidos de vendas para a China também estão praticamente parados, conforme o CEO da empresa, Martín Secco, que também participou do debate ontem. De acordo com ele, a empresa já não acerta contratos "há duas ou três semanas", em razão do preço pouco "atrativo" oferecido pelos chineses. A alternativa tem sido escoar parte da produção de carne bovina a países como Chile e Egito e mesmo para o mercado doméstico, acrescentou o executivo.

Na avaliação de Secco, o câmbio é o grande responsável pela retração das vendas à China, uma vez que o preço em dólar da carne bovina vendida ao país asiático não se alterou muito desde o início do ano. O que mudou, disse, foi a cotação do dólar, que saiu de uma média de R$ 3,9737, em fevereiro, para R$ 3,4869 nesta primeira quinzena de junho.

"Aí já tem uma queda de mais de 10% no preço [em reais]". Em fevereiro, o preço médio da carne bovina exportada pelo Brasil aos chineses foi de US$ 4.257 por tonelada. No mês passado, o preço do produto foi de US$ 4.158 mil, o que representa uma queda de 2,3%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A retomada das vendas para a China, que ao lado de Hong Kong foi responsável por 35% das exportações de carne bovina nos primeiros cinco meses de 2016, deverá acontecer em julho, avaliaram Costa e Secco. "O segundo semestre é sempre mais forte", argumentou o CEO da Marfrig. Na avaliação do executivo, a queda nas vendas à China deverá se concentrar em junho. De acordo com Secco, os chineses respondem por aproximadamente 15% das exportações de carne da Marfrig.

Do lado da JBS, a queda de braço com os chineses não é vista com preocupação. Para Costa, como os embarques ao país asiático são normalmente programados com uma antecedência de seis semanas e a expectativa é que os chineses voltem a fechar pedidos em julho - o estoque de carne bovina do país diminuiu, segundo ele -, não deverá haver impacto nos embarques à China. Em média, a JBS exporta mensalmente entre 8 mil e 10 mil toneladas ao país asiático. Ao todo, os embarques do Brasil para os chineses giram em torno de 20 mil toneladas por mês.

Fonte: Avisite

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