Mercado de bioinsumos deve crescer até 7% em valor e 10% em volume em 2026, projeta ANPII Bio
A adoção de produtos biológicos avança no Brasil, mas a pressão sobre preços e o adiamento das compras limitaram o faturamento no primeiro semestre.
Publicado em: 25/09/2026 às 10:50hs
O mercado brasileiro de bioinsumos deve encerrar 2026 com crescimento de 5% a 7% em valor de vendas e de aproximadamente 10% em volume, na comparação com 2025. A projeção é da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio) e considera uma recuperação das compras no segundo semestre.
De janeiro a junho, o volume comercializado aumentou 7% em relação ao mesmo período do ano passado. O valor das vendas, porém, ficou estável. Segundo a entidade, o resultado reflete a pressão sobre os preços médios e a decisão de produtores de deixar as compras para mais perto do plantio da safra de verão.
Compras mais tardias pressionam o mercado de bioinsumos
A cautela se intensificou no segundo trimestre, em meio a dificuldades relacionadas a preços e suprimento de fertilizantes e a incertezas sobre as cotações futuras das principais commodities agrícolas.
Para Larissa Bonotto, diretora de operações da ANPII Bio, o aumento do volume indica que os produtores continuam incorporando bioinsumos ao manejo, mesmo com decisões de compra mais cautelosas. A diferença entre o desempenho em volume e em valor, acrescenta, mostra a pressão sobre os preços praticados pela indústria.
As estimativas vêm da Plataforma de Inteligência de Mercado da associação, apresentada às empresas associadas no fim de agosto pela consultoria 5P2R Marketing de Precisão. A base reúne dados de 30 companhias e uma série histórica iniciada em 2009.
Produtos com funções combinadas ganham espaço
O levantamento também aponta uma mudança na oferta. Entre os biodefensivos, aumenta a participação de soluções com mais de uma classe de uso, como combinações de ação nematicida e fungicida ou acaricida e inseticida. Nos inoculantes, avançam formulações com diferentes espécies de microrganismos.
Essas categorias responderam por 22% do valor das vendas no primeiro trimestre de 2026, ante 16% em 2025. Para Anderson Nora Ribeiro, sócio-fundador da 5P2R, o movimento reflete a ampliação dos portfólios e a busca por tecnologias com funções complementares no manejo agrícola.
A diversificação também aparece na atuação das empresas: metade das 30 companhias acompanhadas pela plataforma trabalha hoje tanto com inoculantes quanto com defensivos biológicos. Em 2022, essa parcela era de 26%.
Regulamentação da Lei dos Bioinsumos está no radar
A expansão do setor ocorre enquanto avança a regulamentação da Lei nº 15.070/2024, que estabelece regras para atividades como produção, registro, comercialização e uso de bioinsumos. O Ministério da Agricultura apresentou uma proposta de decreto para análise e contribuições; a ANPII Bio espera a publicação do texto final nas próximas semanas. A data, contudo, é uma expectativa da entidade.
Na avaliação da associação, regras mais claras poderão dar previsibilidade aos investimentos e ao desenvolvimento de novos produtos. Após o decreto, o setor ainda acompanhará a definição dos atos complementares necessários à aplicação prática do marco legal.
Fonte: Portal do Agronegócio
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