Publicado em: 26/01/2026 às 09:00hs
O uso de bioinsumos está se consolidando como uma importante ferramenta no manejo da hortifruticultura do Rio Grande do Sul, especialmente em cultivos de tomate e uva. Produtores da região relatam ganhos em vigor vegetativo, produtividade e qualidade das plantas, resultado do uso combinado de biotecnologia e manejo tradicional.
De acordo com o produtor Márcio Vizentin, de Flores da Cunha (RS), os efeitos na lavoura são visíveis: “Este ano, a produção aumentou cerca de 30%”. O relato reflete uma tendência crescente entre agricultores que buscam alternativas sustentáveis para melhorar o desempenho das lavouras sem depender exclusivamente de insumos químicos.
O avanço no uso de bioinsumos no Estado acompanha o crescimento nacional. Um levantamento da CropLife Brasil revelou que a adoção de bioinsumos aumentou 13% na safra 2024/2025, alcançando 156 milhões de hectares. A taxa média de uso por área também subiu, chegando a 26%.
O tema ganhou destaque em políticas públicas com o Programa Nacional de Bioinsumos, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que tem como meta “ampliar e fortalecer o uso de bioinsumos” como estratégia para promover o desenvolvimento sustentável da agropecuária brasileira.
Para especialistas, o foco da nova agricultura é integrar nutrição e biologia no manejo das lavouras. Segundo Flávio Copatti, representante da Superbac na região Sul, os fertilizantes biotecnológicos atuam tanto na nutrição das plantas quanto na saúde do solo, fornecendo macro e micronutrientes e estimulando microrganismos benéficos.
“Esses produtos funcionam como condicionadores biológicos do solo, favorecendo uma microbiota saudável e melhorando a eficiência na absorção de nutrientes”, explica Copatti.
A proposta está alinhada às demandas da hortifruticultura, onde sanidade, pegamento, uniformidade e vigor vegetativo são determinantes para o sucesso comercial.
O crescimento do setor também se reflete nos números de mercado. Segundo dados da Kynetec (FarmTrak Bioinsumos 2024/25), divulgados pela Forbes Agro, o segmento de defensivos biológicos movimentou R$ 4,35 bilhões na safra 2024/25, o que representa alta de 18% em relação ao ciclo anterior.
O resultado reforça o interesse crescente por soluções biológicas, que vêm sendo adotadas como complemento ao manejo químico tradicional.
De acordo com especialistas do setor, o avanço dos bioinsumos na hortifruticultura é guiado por três fatores principais:
Copatti reforça que o papel dos bioinsumos não é substituir completamente os sistemas convencionais, mas sim atuar de forma complementar, integrando nutrição, solo e proteção de cultivos.
“A ideia é somar forças entre a biotecnologia e o manejo tradicional, garantindo sustentabilidade e produtividade ao mesmo tempo”, conclui o especialista.
Fonte: Portal do Agronegócio
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