Publicado em: 23/03/2026 às 15:49hs
Alexandre Alves: Diretor de Mosaic Biosciences Brasil, sobre Mercado Biológicos
Por: Eliane Dalpizol
Estamos falando de uma evolução em termos de conveniência e eficiência. Essa nova geração utiliza microrganismos de alta estabilidade, desenvolvidos para serem aplicados diretamente no fertilizante. Isso elimina a necessidade de operações extras no campo, reduzindo custos logísticos e simplificando o dia a dia do produtor. No sistema solo-planta, esses biológicos atuam "destravando" nutrientes que antes ficavam retidos no solo e estimulando o crescimento das raízes. Na prática, a planta consegue explorar muito melhor a água e o adubo disponível. O resultado é uma lavoura mais resiliente ao clima e a garantia de que o investimento feito em fertilizantes seja transformado em produtividade real, sem desperdícios.
O fósforo é um nutriente essencial, mas ele "trava" com facilidade no solo, tornando-se indisponível para a planta. Nessa nova tecnologia atua como uma chave: ela libera ácidos e enzimas que quebram essas ligações químicas, liberando o fósforo para ser absorvido. Criamos um efeito sinérgico onde o fertilizante mineral fornece o aporte inicial e o biológico garante que esse nutriente, e também o que já estava estocado no solo, continue disponível por mais tempo. É o que chamamos de maximizar a eficiência nutricional: fazer com que cada quilo de adubo aplicado trabalhe o máximo possível em favor da planta.
O foco aqui é a otimização do investimento. Muitas vezes o produtor perde dinheiro sem perceber através da "perda invisível" de nutrientes que não chegam à planta. O uso dessas tecnologias elimina esse desperdício, garantindo que o investimento em NPK seja convertido em sacas colhidas. Além de ter um excelente custo-benefício por hectare, o biológico protege o teto produtivo e aumenta a rentabilidade final. É uma estratégia de gestão: você investe para ter um resultado mais seguro e previsível, protegendo o fluxo de caixa da propriedade e cuidando do solo, que é o maior patrimônio do agricultor.
Os resultados são muito consistentes. Em mercados como Estados Unidos e Canadá, onde essa tecnologia já está consolidada, vemos incrementos reais que variam de 3 a 8 sacas por hectare em culturas como soja e milho. Esse ganho é visível na raiz, que se torna muito mais robusta e profunda; e na folha, que apresenta níveis mais altos de nitrogênio, fósforo e potássio em análises laboratoriais. No fim do dia, isso se traduz em grãos mais pesados e maior rentabilidade. É a biologia do solo trabalhando diretamente para aumentar a eficiência do fertilizante e o lucro do produtor.
Para ter sucesso com biológicos, o produtor deve focar em três pilares. Primeiro, o cuidado com o produto: microrganismos são organismos vivos, então respeitar as condições de armazenamento e aplicação é essencial. Segundo a compatibilidade: é importante verificar se o biológico pode ser usado junto com determinados defensivos, como fungicidas, que podem inibir sua ação. Por fim, o diagnóstico: entender qual é o principal desafio da área — seja a falta de fósforo ou o estresse hídrico — para escolher a solução com o modo de ação correto.
Fonte: CDN/Portal do Agronegócio
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