Publicado em: 10/11/2015 às 11:00hs
O Brasil ocupa o 5º lugar nos casos de resistência da ampla variedade de ervas daninhas a glifosato (principal químico utilizado mundialmente para controle dessas plantas indesejáveis com alto potencial de prejuízo, que sombreiam as lavouras, tiram sua água e nutrientes, e dificultam as colheitas). Para demonstrar a dimensão do problema, na Região Sul do país, quase toda a área de soja, 12 milhões de hectares, apresenta infestação por ervas resistentes ao produto. Em todo o estado de Santa Catarina o insumo já não faz mais efeito.
Para evitar que a produtividade diminua, os agricultores utilizam desde a década de 70 o paraquate - defensivo agrícola utilizado em diversos países, em mais de 100 tipos de lavouras, inclusive cereais, sementes oleaginosas, frutas e legumes. Após 45 anos de uso pelos produtores rurais brasileiros e do mundo, o herbicida passa para por um processo de reavaliação toxicológica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que consiste em apresentar estudos do produto no mundo, análise de dados, nota técnica para consulta pública, consolidação das contribuições, discussão das conclusões e elaboração de nota técnica, com o parecer final. Hoje, o paraquate está na fase de consulta pública, que termina no próximo dia 16/11.
Preocupados com a consequência do banimento do agrotóxico no Brasil, entidades do setor agropecuário, parlamentares e membros do governo debateram na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e desenvolvimento Rural (CAPADR), da Câmara dos Deputados, em Brasília, o polêmico assunto.
Segundo o Consultor da Área de Tecnologia da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Reginaldo Minaré, o tema é muito importante para ficar na agenda de ministros, que hoje tem agendas contraditórias em relação ao assunto. “É preciso que o Governo tenha uma posição de Estado sobre o assunto, e que sejam oferecidas à sociedade decisões embasadas, com conhecimento científico válido, para que a sociedade tenha a garantia de validade de um conhecimento cientifico sobre o uso de agrotóxico. É necessária a realização de estudos comparados com outros países que também utilizam o defensivo agrícola”, observou. Para o consultor, não é possível que o paraquate cause câncer somente no Brasil? “O que levou um país igual aos Estados Unidos a manter o uso do produto?”, indagou.
Minaré reforçou a necessidade de termos uma análise científica um pouco mais eficiente, pela relevância da agricultura para o Brasil. Outro ponto bastante importante é em relação à consulta formatada pela Anvisa, que de acordo com o consultor tem muitas falhas. Para ele, os estudos não deveriam ser apenas da Fundação Osvaldo Cruz (FIOCRUZ). “Temos um grande número de universidades com área de química que poderia ser compartilhado com um colegiado de cientistas de diversas instituições”, frisou.
Ainda, segundo Minaré, o aval final é dado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Anvisa, órgãos que têm competências na área de agrotóxico. “No entanto, desconheço alguém nos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente que tenha conhecimento cientifico para discutir toxicologia. Não é a área de atuação”, explicou. O consultou acrescentou que a Anvisa tem técnicos, porém a discussão precisa ser colocada também para uma comunidade de cientistas. “A CNA espera que o sistema de registro e reavaliação seja modificado. Que um colegiado científico participe desse sistema. Hoje o paraquate é retirado, amanhã o glifosato. E assim, entram produtos patenteados com exclusividade e o custo pode ser até 10x maior do que nós temos”, finalizou.
Fonte: Assessoria de Comunicação CNA
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