Publicado em: 29/01/2026 às 15:30hs
Entidades sindicais e empresariais do setor químico e petroquímico divulgaram uma carta-manifestação dirigida ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, alertando para o risco de uma crise generalizada na indústria química nacional.
O documento expressa preocupação com a indefinição do Regime Especial da Indústria Química (REIQ) para 2026, que, segundo as organizações, já vem provocando efeitos imediatos negativos, como fechamento de unidades industriais, redução de turnos e demissões em massa em diferentes regiões do país.
A falta de uma decisão clara sobre o regime tributário — que concede incentivos à produção nacional de insumos químicos — é apontada como ameaça à competitividade e à sobrevivência de empresas brasileiras frente à concorrência internacional.
A manifestação é assinada por importantes entidades representativas, entre elas:
As entidades afirmam que a ausência de uma solução definitiva para o REIQ está provocando o fechamento de plantas industriais, afetando cadeias produtivas inteiras e comprometendo empregos altamente qualificados.
“Esses postos de trabalho, uma vez perdidos, dificilmente são recompostos, o que agrava os impactos sociais e econômicos”, destaca o texto da carta.
De acordo com as organizações, o setor químico brasileiro enfrenta uma das piores crises das últimas décadas, com risco de desindustrialização acelerada.
A carta alerta que o problema pode se estender ao núcleo do complexo petroquímico nacional, considerado essencial para a base industrial e tecnológica do país.
A instabilidade regulatória e a ausência de previsibilidade tributária são apontadas como fatores que enfraquecem a confiança dos investidores e comprometem a integração das cadeias produtivas.
Além disso, o documento cita o cenário global adverso, marcado por excesso de oferta em outros países, subsídios externos e práticas comerciais desleais, que têm pressionado as margens de lucro das empresas brasileiras.
O estado de São Paulo, principal polo químico do país, já registra encerramento de operações industriais em cidades como Cubatão e Guarujá, segundo as entidades.
Esses fechamentos resultaram na eliminação de vagas de trabalho diretas e indiretas, reduzindo a arrecadação e enfraquecendo economias locais.
As lideranças sindicais alertam que, sem uma política industrial sólida e estável, o Brasil corre o risco de perder parte significativa de sua base produtiva, ficando cada vez mais dependente de importações de produtos químicos e petroquímicos.
No documento, as entidades pedem uma solução urgente por parte do governo federal para restabelecer a previsibilidade regulatória e garantir a competitividade da indústria nacional.
O objetivo é preservar os empregos formais, evitar a paralisação de novas plantas e assegurar condições mínimas para investimentos de longo prazo no setor químico.
“O momento exige decisões firmes para evitar um colapso industrial e proteger uma cadeia produtiva estratégica para o desenvolvimento do país”, conclui a carta.
Fonte: Portal do Agronegócio
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