Publicado em: 04/08/2015 às 09:30hs
Apesar de reconhecer o impacto favorável do salto das exportações brasileiras de carne de frango nos últimos dois meses, a BRF avalia que o atual ritmo de embarques — próximo de 400 mil toneladas por mês, considerando todo o segmento — não é “estrutural”, afirmou hoje o gerente executivo de relações institucionais da BRF, Adriano Zerbini.
“Não é uma coisa estrutural que você possa contar no longo prazo”, afirmou o executivo ao Valor no Salão Internacional de Aves e Suínos (Siavs), realizado em São Paulo. O evento é organizado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
De acordo com ele, o aumento das exportações brasileiras reflete o surto de gripe aviária que atinge os EUA, o que deve se reverter em algum momento. Além disso, a desvalorização do real perante o dólar também favorece as exportações brasileiras.
Em linha com as declarações dos principais executivos da empresa — notadamente, com as do presidente do conselho de administração da BRF, o empresário Abilio Diniz —, o executivo disse que a BRF continua focada em melhorar seus processos internos, realizar inovações e “em entender o consumidor”. “É uma empresa que não conta só com essas variáveis exógenas. Temos que ser protagonista do nosso próprio negócio”, resumiu.
De todo modo, Zerbini não deixou de reconhecer que a atual conjuntura beneficia a BRF, que é a maior produtora e exportadora de carne de frango do Brasil. “Está sendo um ano interessante em termos de volume de exportação”, afirmou o executivo.
Em relação aos temas que seriam “estruturais” para o comércio global de carne de frango, Zerbini avaliou que há bastante espaço para ampliar as vendas de frango em todo o mundo. Segundo ele, o Brasil tem um consumo per capita de cerca de 45 quilos de frango por ano, ao passo que o consumo mundial é de apenas 11 quilos per capita. “Existe um potencial de aumento de consumo de frango muito importante”, avaliou o executivo.
Mas Zerbini também ponderou que o Brasil não tem acesso total a alguns dos principais mercados que devem puxar o consumo de frango. Entre esses mercados, ele cita China e Índia. Hoje, algumas unidades das principais empresas do país já exportam frango para os chineses, mas o número de plantas habilitadas teria de ser maior para atender a demanda e a China só habilita após inspeções feitas em cada frigorífico. O caso da Índia é mais problemático porque há uma barreira tarifária, lembrou Zerbini.
Nesse contexto, ele reforçou a importância de a BRF se tornar uma empresa cada vez mais “global”, com unidades produtoras em outros países do mundo. “Não olhamos só o potencial exportador para atender essa demanda”, disse, indicando que a BRF poderá atender a maior demanda por frango a partir de outras plantas que venha a ter no mundo.
Fonte: Avisite
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