Publicado em: 20/01/2026 às 17:00hs
As recentes tensões envolvendo o Irã têm gerado preocupação no mercado internacional de fertilizantes, especialmente em relação ao fornecimento de ureia, produto essencial para a agricultura brasileira.
De acordo com análise de Renata Cardarelli, especialista em grãos e fertilizantes da Argus, a instabilidade no país persa aumenta a incerteza sobre a oferta global e pode ter reflexos diretos no Brasil, um dos maiores importadores do insumo no mundo.
Em 2025, o Brasil importou 7,7 milhões de toneladas de ureia, tendo Nigéria, Rússia e Omã como principais fornecedores. No entanto, segundo Cardarelli, parte do volume declarado como proveniente de Omã pode ter origem iraniana, o que torna o cenário ainda mais complexo diante das restrições comerciais.
O Irã é um dos maiores produtores mundiais de ureia, com capacidade instalada de cerca de 9 milhões de toneladas por ano. Entretanto, desde dezembro, o país tem operado com produção reduzida devido a cortes no fornecimento de gás natural, que é redirecionado para o aquecimento residencial durante o inverno.
“Turquia, Brasil e África do Sul estão entre os principais destinos da ureia iraniana”, observa a analista.
Cardarelli também destaca que não há clareza sobre os efeitos de uma possível tarifa de 25% que pode ser aplicada pelos Estados Unidos a países que mantêm relações comerciais com o Irã.
Essa medida, se confirmada, afetaria fornecedores estratégicos, como Rússia e países do Oriente Médio, que atuam simultaneamente nos mercados norte-americano e brasileiro.
“As consequências dessa medida ainda são difíceis de mensurar”, ressalta a especialista, destacando que os agentes de mercado permanecem em compasso de espera por um posicionamento oficial de Washington.
Atualmente, os fornecedores russos e árabes ainda não têm clareza sobre custos adicionais que podem surgir nas exportações para os Estados Unidos.
Segundo Cardarelli, a ureia e o UAN russos (fertilizante nitrogenado líquido) não enfrentam tarifas de importação atualmente, o que torna o tema ainda mais sensível.
Em caso de aplicação de novas taxas, há expectativa de que parte da produção russa destinada aos EUA seja redirecionada a outros mercados consumidores.
“Nesse contexto, o Brasil surge como destino natural para parte dessas cargas, caso esse movimento se concretize”, conclui Cardarelli.
Fonte: Portal do Agronegócio
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