Publicado em: 29/04/2024 às 11:12hs
Em 17 de abril, a Petrobras anunciou a retomada da produção de fertilizantes na fábrica Araucária Nitrogenados S/A (ANSA), sinalizando um movimento para reverter a dependência do Brasil em relação às importações de ureia. A unidade tem capacidade para produzir 720 mil toneladas de ureia por ano, além de 475 mil toneladas de amônia e 450 mil toneladas de ARLA 32.
O Brasil é um dos maiores consumidores de fertilizantes nitrogenados no mundo. Em 2022, o país consumiu cerca de 7 milhões de toneladas de ureia, tornando-se o quarto maior consumidor global, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos. Apesar dessa demanda significativa, o Brasil produz uma quantidade relativamente pequena de ureia, resultando em uma elevada dependência das importações para suprir suas necessidades agrícolas.
O principal desafio para a produção nacional de fertilizantes nitrogenados é o custo do gás natural, matéria-prima essencial para a produção de amônia, base para a ureia. Enquanto grandes produtores como Rússia, EUA e países do Oriente Médio conseguem manter custos competitivos, no Brasil, os altos preços do gás natural tornam a produção local mais cara.
Em 2022, o Brasil produziu apenas 740 mil toneladas de ureia, ocupando o 26º lugar no ranking mundial de produção, bem atrás dos principais produtores. A China lidera a produção, com 58 milhões de toneladas por ano, seguida pela Índia, com 27,6 milhões de toneladas. Esses países, apesar de serem grandes consumidores, conseguem manter uma produção significativa, reduzindo a necessidade de importações.
O Brasil, por outro lado, tem uma relação produção/consumo muito baixa. Em 2022, esse indicador era de apenas 11%, significando que 89% da ureia consumida no país foi importada. Essa dependência aumentou ao longo dos anos 2000, quando a produção nacional diminuiu enquanto o consumo crescia. A baixa capacidade produtiva levou o Brasil a importar cada vez mais ureia, com um crescimento médio de 10% ao ano nas importações, enquanto a produção nacional caiu 3% ao ano no mesmo período.
A retomada da produção na planta da Petrobras é um passo importante para reduzir a dependência do Brasil em relação às importações de ureia. Com uma capacidade produtiva de 720 mil toneladas por ano, a ANSA poderia aumentar a relação produção/consumo para cerca de 21%, ainda longe de uma autossuficiência, mas representando uma melhoria significativa.
No entanto, mesmo com essa expansão na produção, o Brasil ainda precisará importar uma parte substancial da ureia que consome. Isso o torna suscetível a flutuações no mercado internacional, onde os preços podem ser voláteis e sujeitos a fatores geopolíticos e de oferta.
A produção nacional de fertilizantes nitrogenados é crucial para a segurança agrícola do Brasil, um dos maiores exportadores de produtos agropecuários do mundo. A retomada da produção na ANSA é um passo importante, mas o país ainda tem um longo caminho para alcançar uma posição mais forte e menos dependente em termos de fertilizantes nitrogenados.
Fonte: Portal do Agronegócio
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