Publicado em: 30/03/2026 às 19:40hs
O setor de fertilizantes no Brasil intensificou a cobrança por medidas urgentes do Governo Federal diante da escalada dos custos de produção no agronegócio. A combinação de fatores externos e internos tem pressionado o mercado e pode provocar retração significativa no consumo de insumos, além de impactos diretos nos preços dos alimentos.
Segundo o Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas do Paraná (Sindiadubos-PR), o mercado nacional de fertilizantes pode encolher entre 10% e 15% em 2026.
Após registrar recorde de 49 milhões de toneladas entregues em 2025, o setor projeta um cenário de retração neste ano. O aumento dos custos está ligado principalmente aos conflitos geopolíticos envolvendo Irã e Ucrânia, além de mudanças internas na política tributária e logística.
Entre os fatores domésticos, destacam-se a retomada da cobrança de PIS/COFINS sobre fertilizantes — com impacto estimado de 2% nos preços — e a Medida Provisória 1343/2026, que trata do frete mínimo.
De acordo com o presidente do Sindiadubos-PR, Aluísio Schwartz, esses elementos aumentam significativamente os custos de produção agrícola e dificultam a tomada de decisão por parte dos produtores.
O cenário atual já começa a refletir nas importações e no comportamento do mercado. Há registro de queda nas compras externas de fertilizantes no primeiro quadrimestre do ano.
Diante dos preços elevados, empresas demonstram cautela, enquanto produtores optam por adiar aquisições na expectativa de melhores condições. Esse movimento pode comprometer o planejamento da próxima safra.
O alto custo dos insumos deve levar à redução no uso de fertilizantes em nível global. No Brasil, o impacto pode ser ainda mais significativo devido ao esgotamento das reservas nutricionais do solo após sucessivas safras robustas.
Nesse contexto, a diminuição da adubação tende a resultar não apenas em menor produtividade, mas também na redução de áreas plantadas. Como consequência, há risco de queda na produção de alimentos e aumento generalizado de preços.
Entre os produtos que podem ser impactados estão soja, milho, carne bovina, frango, açúcar e café, refletindo um cenário de pressão inflacionária no setor de alimentos.
O cenário internacional adiciona novos desafios à cadeia de fertilizantes. Um possível fechamento do Estreito de Ormuz, no Irã, pode provocar perda de até 5 milhões de toneladas na produção de fertilizantes fosfatados em apenas um mês, devido à interrupção do fluxo de enxofre — insumo essencial na produção.
Além disso, o preço do enxofre já vinha em alta antes mesmo dos conflitos, impulsionado pela demanda da indústria de baterias.
Outro fator relevante é a redução nas exportações de fosfatados pela China, devido a restrições impostas pelo governo local, o que afeta diretamente o abastecimento brasileiro.
Mesmo com prazo para importação de insumos visando a safra de soja, prevista para começar em setembro, há preocupação com gargalos logísticos. O acúmulo de cargas pode gerar filas nos portos e atrasos no plantio.
Paralelamente, conflitos envolvendo Rússia, Ucrânia, Israel e Irã têm afetado unidades produtoras ao redor do mundo, dificultando a retomada da produção e agravando os riscos de desabastecimento.
A Índia, importante produtora de ureia, também reduziu sua produção devido à escassez de gás. Já a Rússia restringiu exportações de nitrato de amônia, insumo do qual o Brasil importa cerca de 2 milhões de toneladas por ano.
O aumento nos preços do petróleo tem elevado os custos dos fretes internacionais, impactando diretamente o valor de fertilizantes como o potássio, que vinha apresentando estabilidade, mas já registra alta.
Embora o setor não aponte desabastecimento imediato, há preocupação com o ajuste do mercado via aumento de preços e redução no consumo por parte dos agricultores.
Diante do cenário adverso, entidades do setor intensificaram articulações com o Governo Federal em busca de medidas que minimizem os impactos sobre o agronegócio.
O Sindiadubos-PR, em conjunto com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) e a Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (AMA), tem atuado junto ao Instituto Pensar Agropecuário (IPA) e à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA).
Entre as principais demandas estão o adiamento da cobrança de PIS/COFINS, a revisão da tabela de frete mínimo e a negociação com a China para a retomada das exportações de fertilizantes fosfatados.
A possível manutenção das restrições chinesas preocupa o setor. No ano passado, o Brasil importou mais de 2 milhões de toneladas de fosfatados da China, que contribuíram para o desempenho recorde das safras.
Sem esse fornecimento, a tendência é de aumento significativo nos custos para o produtor brasileiro.
Diante desse cenário, o setor reforça a necessidade de ações coordenadas entre governo e iniciativa privada para garantir o abastecimento, preservar a competitividade do agronegócio e evitar repasses ainda maiores aos preços dos alimentos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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