Publicado em: 19/11/2025 às 10:10hs
Após o período de forte volatilidade provocado pelo conflito entre Israel e Irã — que elevou os preços internacionais, especialmente da ureia —, os valores dos principais fertilizantes registraram queda no Brasil. Segundo o relatório Radar Agro – Relação de Troca com Fertilizantes, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA em novembro de 2025, todos os nutrientes apresentaram retração em dólar e em real.
O destaque foi o MAP (fosfatado), que atingiu o menor preço do ano em reais, enquanto a ureia já opera próxima aos níveis de 2024.
A redução nos preços dos insumos trouxe alívio ao agricultor. A relação de troca entre fertilizantes e os principais produtos agrícolas brasileiros — como soja, milho e algodão — melhorou de forma contínua nos últimos três meses, retornando para perto da média histórica nos nitrogenados e potássicos.
A exceção é o café, cuja relação permanece nas mínimas históricas, reflexo das cotações elevadas do grão. Esse cenário cria oportunidades para antecipar as compras de insumos da safrinha 2026, ainda atrasadas, e iniciar o planejamento do pacote tecnológico da safra de verão 2027.
O Itaú BBA também observa uma mudança no perfil de consumo. Em 2025, cresceu o uso de fertilizantes com menor concentração de nutrientes, como alternativa de custo-benefício.
No caso dos nitrogenados, o sulfato de amônio (SAM) apresentou melhor valor por ponto percentual de nitrogênio em relação à ureia. Já entre os fosfatados, produtos como supersimples (SSP) e supertriplo (TSP) ganharam espaço frente ao MAP, por conta do menor preço nominal.
Essa mudança de preferência se refletiu nas importações brasileiras. Entre janeiro e outubro de 2025, o país importou mais sulfato de amônio e supersimples do que no mesmo período de 2024 — e, pela primeira vez, os volumes desses produtos superaram os de MAP, fato inédito no mercado nacional.
Apesar da recuperação recente do real frente ao dólar, o câmbio ainda influencia a formação dos preços dos fertilizantes. A consultoria lembra que, mesmo com o recuo nas cotações internacionais, as oscilações cambiais seguem determinantes para o custo final ao produtor.
Além disso, a valorização de commodities como soja, milho e algodão reforça o poder de compra dos agricultores, equilibrando as relações de troca e melhorando o ambiente para decisões de investimento no campo.
Com fertilizantes mais acessíveis e produtos agrícolas valorizados, o relatório do Itaú BBA aponta um momento favorável para retomada das aquisições de insumos. A tendência, segundo os analistas, é de maior movimento de compra nas próximas semanas, especialmente com foco nas operações de inverno de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
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