Publicado em: 06/07/2026 às 19:20hs
O custo dos fertilizantes continua sendo um dos principais desafios para o agronegócio brasileiro. Embora os preços internacionais tenham apresentado queda ao longo de 2026, os insumos permanecem muito acima dos níveis registrados em 2016, mesmo quando a comparação considera a inflação acumulada no período.
Levantamento baseado em dados do Banco Mundial mostra que a valorização dos principais fertilizantes superou com folga a inflação dos Estados Unidos, evidenciando um aumento real dos preços e ampliando a pressão sobre os custos de produção de culturas como soja, milho, café, algodão e cana-de-açúcar.
Entre os fertilizantes analisados, a ureia foi o produto que apresentou a maior valorização em termos reais.
No segundo trimestre de 2026, a cotação média internacional atingiu US$ 693,50 por tonelada, frente aos US$ 199,30 registrados em 2016. Em valores nominais, a alta acumulada foi de 248%.
No entanto, ao corrigir os preços pela inflação norte-americana, utilizando como referência o Índice de Preços ao Consumidor (CPI-U), a ureia ainda apresenta valorização real de 149,2%, demonstrando que o aumento vai muito além da simples perda do poder de compra do dólar.
A elevação dos preços não se restringe à ureia.
Os dados mostram que o DAP (fosfato diamônico) acumula alta real de 57,5% desde 2016, enquanto o TSP (superfosfato triplo) registra avanço de 73,2% acima da inflação.
Já o índice internacional de fertilizantes calculado pelo Banco Mundial apresenta crescimento real de 79% no período.
O cloreto de potássio teve comportamento mais moderado, mas ainda assim permaneceu acima da inflação, acumulando valorização real de 17,5%.
Para comparar corretamente a evolução dos preços ao longo do tempo, é necessário eliminar o efeito da inflação.
O cálculo considera o índice CPI-U dos Estados Unidos, cuja média passou de aproximadamente 240 pontos em 2016 para 335,1 pontos em maio de 2026, representando inflação acumulada de cerca de 39,6% no período.
Mesmo após esse ajuste, todos os principais fertilizantes permanecem acima do nível que seria esperado apenas pela desvalorização da moeda, indicando um aumento efetivo do custo internacional desses insumos.
O impacto dessa valorização é significativo para o produtor rural.
Os fertilizantes representam uma das maiores despesas do custeio agrícola e exercem influência direta sobre a rentabilidade das principais culturas brasileiras.
Quando os preços dos insumos avançam acima da inflação, o produtor precisa buscar alternativas para preservar a margem financeira, como:
Nenhuma dessas estratégias ocorre sem impactos sobre a atividade agrícola.
Os dados utilizados têm como base as séries internacionais de referência do Banco Mundial e refletem a tendência global dos preços dos fertilizantes.
A instituição ressalta, entretanto, que algumas metodologias foram atualizadas ao longo dos anos.
No caso do cloreto de potássio, por exemplo, a referência internacional passou a considerar, a partir de 2020, a cotação spot granular CFR Brasil. Em 2016, a base utilizada era diferente.
Por esse motivo, os indicadores representam uma referência da evolução dos preços internacionais e não necessariamente o valor efetivamente pago pelo produtor rural brasileiro na propriedade.
Apesar do cenário de alívio observado em 2026, os fertilizantes continuam operando em patamares historicamente elevados.
Em junho, o Banco Mundial registrou recuo de 21,8% no índice internacional de fertilizantes em relação aos níveis anteriores. Ainda assim, o indicador encerrou o mês em 156,1 pontos, mais que o dobro da média de 75,3 pontos observada em 2016.
O cenário reforça que, embora a pressão sobre os custos tenha diminuído nos últimos meses, os fertilizantes permanecem significativamente mais caros em termos reais, mantendo o desafio de gestão de custos para os produtores rurais brasileiros.
Fonte: Portal do Agronegócio
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