Publicado em: 14/01/2026 às 11:40hs
Os mercados internacionais de fertilizantes começam a mostrar sinais claros de enfraquecimento, marcando o início de um novo ciclo de baixa. Segundo relatório do Rabobank, o aumento expressivo nos preços tem reduzido o poder de compra dos produtores e limitado a demanda global. Essa tendência já havia sido projetada em análises anteriores e agora se confirma pela queda contínua do índice de acessibilidade dos fertilizantes.
O estudo mostra que a média móvel de 12 meses do índice aprofundou-se em terreno negativo, indicando um processo mais duradouro de retração. A movimentação é semelhante a períodos anteriores de desaceleração, sugerindo que o consumo mundial de insumos agrícolas deve continuar diminuindo ao longo de 2025, com reflexos ainda mais acentuados em 2026.
Apesar da tendência global de enfraquecimento, as condições regionais permanecem voláteis. Nos Estados Unidos, tensões geopolíticas e políticas comerciais devem influenciar diretamente a próxima safra. Já na Europa, o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) tende a elevar os preços de insumos importados.
No Brasil, o ambiente é desafiador: produtores enfrentam margens reduzidas e restrições de crédito, embora as entregas de fertilizantes possam atingir volumes recordes em 2025. Enquanto isso, a China mantém foco no abastecimento doméstico, e a Índia segue com papel estratégico no comércio internacional de ureia, influenciando o mercado a cada novo leilão.
O Rabobank destaca que a ureia deve registrar retração na demanda global em 2026, após a escalada dos preços nos últimos anos. No Brasil, o movimento é ainda mais evidente, com parte dos produtores migrando para o sulfato de amônio como alternativa mais acessível.
Os fertilizantes fosfatados também seguem pressionados, com preços elevados e perspectiva de queda de 4% no consumo mundial em 2025, além de novas reduções no ano seguinte. A diminuição das exportações chinesas tem sido parcialmente compensada por maiores embarques de Marrocos e Arábia Saudita, o que mantém o volume total do comércio relativamente limitado.
No caso do potássio, a recuperação observada em 2024 deve perder força no próximo ano, com a retomada das altas de preços reduzindo o ritmo de importações em diversas regiões. O Brasil, no entanto, planeja importações recordes em 2025, o que pode ajudar a equilibrar a demanda global.
Mesmo assim, o Rabobank alerta que, se os preços permanecerem elevados, a tendência é de nova queda no consumo mundial em 2026, reforçando o quadro de retração no mercado de fertilizantes.
Fonte: Portal do Agronegócio
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