Publicado em: 07/04/2026 às 12:00hs
A importação de fertilizantes em Mato Grosso do Sul iniciou 2026 com forte retração, refletindo ajustes no ritmo de compras pelos produtores e um cenário internacional marcado por incertezas. Ao mesmo tempo, tensões geopolíticas têm ampliado a volatilidade no mercado global de insumos, elevando os custos e exigindo maior cautela no planejamento agrícola.
Nos dois primeiros meses de 2026, Mato Grosso do Sul importou 7,9 mil toneladas de fertilizantes, volume 57,57% inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram adquiridas 18,7 mil toneladas.
Os dados são da Aprosoja/MS, com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), e evidenciam uma desaceleração significativa nas compras de insumos no Estado.
A principal redução foi observada nos fertilizantes nitrogenados, cujas importações recuaram de 18 mil toneladas para 7,71 mil toneladas, uma queda de 57,13%.
Por outro lado, os fertilizantes potássicos apresentaram volumes praticamente estáveis, enquanto não houve registro de importações de fosfatados no período analisado.
No cenário nacional, o comportamento foi diferente. O Brasil importou 5,2 milhões de toneladas de fertilizantes entre janeiro e fevereiro de 2026, volume apenas 1,5% menor em relação ao mesmo período do ano anterior.
Enquanto os nitrogenados registraram queda de 9,1%, as importações de potássicos cresceram 10,64% e as de fosfatados avançaram 46,06%, indicando uma recomposição parcial da oferta desses nutrientes no país.
De acordo com análise econômica da Aprosoja/MS, a retração nas importações em Mato Grosso do Sul pode estar ligada a ajustes estratégicos dos produtores no ritmo de aquisição de insumos.
Esse movimento é influenciado principalmente pelo cenário de custos de produção e pelas condições do mercado internacional, que seguem pressionando a rentabilidade no campo.
Para os produtores de soja e milho no Estado, o comportamento do mercado de fertilizantes tem impacto direto no planejamento das lavouras.
A menor aquisição de nitrogenados — nutriente essencial, especialmente para o milho segunda safra — pode comprometer o potencial produtivo, caso haja redução na adubação.
Além disso, a volatilidade dos preços internacionais e da energia exige uma gestão mais eficiente dos insumos, em um contexto em que o custo de produção permanece como um dos principais desafios para o setor.
O mercado internacional de fertilizantes também enfrenta pressões decorrentes de fatores geopolíticos.
O conflito envolvendo o Irã intensificou a volatilidade, especialmente devido às tensões no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas estratégicas para o transporte global de energia e insumos agrícolas.
A região do Golfo concentra parte relevante da produção mundial de fertilizantes e das matérias-primas utilizadas na fabricação desses produtos.
Entre 20% e 30% das exportações globais de fertilizantes passam pelo Estreito de Hormuz, além de uma parcela significativa do gás natural utilizado na produção de nitrogenados.
Com as restrições logísticas e a alta nos preços de energia, os custos de produção e transporte aumentaram em diversos mercados, impactando diretamente o preço final dos insumos.
Desde o início das tensões, em fevereiro de 2026, analistas já apontam uma alta relevante nos preços internacionais dos fertilizantes.
Em alguns mercados, a ureia apresentou aumentos expressivos, refletindo preocupações com a oferta global e possíveis interrupções nas cadeias de suprimento.
Diante desse contexto, o mercado de fertilizantes segue marcado por incertezas.
A combinação de menor importação em nível regional, volatilidade internacional e custos elevados reforça a necessidade de planejamento estratégico por parte dos produtores, especialmente em culturas altamente dependentes de adubação, como soja e milho.
Fonte: Portal do Agronegócio
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