Importação de fertilizantes cai em 2026 e acende alerta para abastecimento da próxima safra de soja
Queda nas compras externas de adubos supera 5% no primeiro semestre, reduz oferta disponível e aumenta preocupação de produtores com custos e disponibilidade de insumos antes do plantio.
Publicado em: 13/07/2026 às 17:00hs
O mercado brasileiro de fertilizantes entrou no radar de produtores e empresas do agronegócio com a aproximação do plantio da próxima safra de soja. A redução das importações no primeiro semestre de 2026 aumenta a preocupação sobre a disponibilidade de nutrientes para o campo e sobre a capacidade de compra dos agricultores diante dos elevados custos dos insumos.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Comex), apresentados pelo conselheiro do agronegócio Antonio Prado G. B. Neto, mostram que as compras externas de fertilizantes químicos recuaram nos últimos meses, indicando um ritmo de abastecimento inferior ao observado no mesmo período do ano passado.
Brasil reduz importação de fertilizantes no primeiro semestre
Em junho de 2026, o Brasil importou 3,3 milhões de toneladas de adubos e fertilizantes químicos, excluindo fertilizantes brutos, movimentando aproximadamente US$ 1,5 bilhão.
Na comparação anual, o volume adquirido caiu 20,1%, enquanto o valor financeiro aumentou 10,7%, reflexo principalmente da valorização dos preços internacionais dos fertilizantes.
O preço médio das compras externas chegou a US$ 0,40 por quilo, alta de 26,1% em relação ao mesmo período anterior.
No acumulado de janeiro a junho, as importações brasileiras totalizaram 18,3 milhões de toneladas, com valor de US$ 7 bilhões.
Apesar do aumento da receita movimentada, o volume comprado ficou 5,7% abaixo do registrado no primeiro semestre de 2025. Segundo Prado, o resultado representa mais de 1 milhão de toneladas a menos disponíveis em comparação ao ano anterior.
Menor oferta preocupa produtores antes do plantio da soja
O cenário ganha importância diante da proximidade da nova temporada agrícola.
A expectativa é que, em aproximadamente 90 dias, algumas regiões produtoras já estejam iniciando os preparativos para o plantio da soja, período em que a disponibilidade de fertilizantes passa a ser decisiva para o planejamento das lavouras.
A principal preocupação do setor é se haverá volume suficiente de fertilizantes para atender a demanda nacional e se os produtores terão condições financeiras de adquirir os produtos no momento adequado.
Os fertilizantes representam uma das maiores parcelas do custo de produção agrícola, especialmente em culturas de alta tecnologia como soja, milho e algodão.
Brasil depende das importações para garantir fertilizantes
O mercado brasileiro possui forte dependência das compras externas para atender a demanda agrícola.
Em 2025, as importações alcançaram 45,5 milhões de toneladas, enquanto as entregas aos agricultores chegaram a 49,9 milhões de toneladas.
Para 2026, a projeção apresentada considera uma possível redução de 10% no volume importado, o equivalente a cerca de 4,5 milhões de toneladas a menos em relação ao ano anterior.
Esse movimento pode pressionar a relação entre oferta e demanda, principalmente caso ocorra aumento da procura durante o período de maior consumo no campo.
Preços elevados aumentam pressão sobre custos agrícolas
Além da redução nos volumes importados, o avanço dos preços internacionais dos fertilizantes amplia o desafio para os produtores.
Mesmo com menor quantidade adquirida, o Brasil desembolsou mais recursos no primeiro semestre de 2026, demonstrando que o mercado segue pressionado por custos logísticos, disponibilidade global e oscilações cambiais.
A combinação entre menor entrada de produto, preços elevados e necessidade de aplicação antes do plantio cria um ambiente de maior atenção para produtores e fornecedores.
Planejamento antecipado ganha importância no agronegócio
Diante desse cenário, especialistas recomendam que produtores acompanhem o mercado de fertilizantes e antecipem decisões de compra sempre que possível.
A disponibilidade dos nutrientes no momento correto é fundamental para garantir produtividade e evitar perdas no potencial das lavouras.
Com a aproximação da safra de soja 2026/27, o comportamento das importações, dos preços internacionais e da logística de entrega dos fertilizantes será um dos principais fatores monitorados pelo agronegócio brasileiro.
A oferta adequada de insumos será determinante para o desempenho da próxima temporada agrícola e para a competitividade da produção nacional no mercado global.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias