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Adubos e Fertilizantes

Fertilizantes para safrinha 2027 ganham janela de compra com melhora do preço do milho

Relação de troca favorece aquisições parciais de nitrogenados, enquanto MAP ainda exige cautela e potássio começa a ser negociado para a safra 2027/28


Publicado em: 22/09/2026 às 10:50hs

Fertilizantes para safrinha 2027 ganham janela de compra com melhora do preço do milho

A valorização do milho melhorou o poder de compra dos produtores e abriu uma janela para a contratação de fertilizantes destinados à safrinha 2027. O movimento favorece principalmente os nitrogenados, enquanto os preços elevados do fosfato monoamônico (MAP) ainda limitam as negociações.

A relação de troca — quantidade de sacas necessárias para adquirir uma tonelada de fertilizante — ganhou importância na tomada de decisão. Quanto menor esse indicador, mais favorável tende a ser a compra para o agricultor.

Com o programa de adubação da soja 2026/27 próximo da conclusão, o mercado direciona a atenção para o milho de segunda safra, que ainda possui parcela relevante das necessidades em aberto.

Compras para a safrinha chegam a 46%

Aproximadamente 89% dos fertilizantes necessários à soja 2026/27 já foram contratados. Para o milho safrinha 2027, o índice alcança cerca de 46%, ligeiramente acima dos 44% registrados no mesmo período da temporada anterior.

O avanço indica maior disposição dos produtores para antecipar parte das aquisições, embora o ritmo varie conforme o nutriente, a região e a situação financeira de cada propriedade.

A recuperação das cotações do milho melhorou a relação de troca e criou condições mais favoráveis para compras graduais, especialmente de fontes nitrogenadas.

Ureia ganha firmeza após correção dos preços

A ureia terminou agosto negociada entre US$ 435 e US$ 445 por tonelada CFR Brasil, referência que inclui o custo do produto e do frete até o porto brasileiro.

Depois da correção observada no mês anterior, o fertilizante voltou a apresentar firmeza. Mesmo assim, o avanço do milho compensou parcialmente a valorização e permitiu uma melhora no poder de compra do produtor.

“Mesmo com a ureia voltando a ganhar força, a melhora do milho criou uma condição mais interessante para o produtor avançar parcialmente nas compras da safrinha 2027”, afirma Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro.

Segundo ela, a relação de troca ajuda a definir tanto o volume a ser adquirido quanto o melhor momento para fechar os negócios.

MAP continua com relação de troca desfavorável

O cenário permanece mais desafiador para os fosfatados. Apesar da queda recente nas cotações, a relação de troca ainda é considerada elevada, principalmente no caso do MAP.

O produto foi negociado entre US$ 840 e US$ 860 por tonelada CFR Brasil. Para a soja 2026/27 em Sorriso, Mato Grosso, a relação de troca do MAP está 22,4% acima da média histórica.

Esse resultado exige maior cautela do produtor, especialmente em um ambiente de custos elevados e margens mais estreitas. O superfosfato simples aparece como alternativa mais competitiva quando a comparação considera o custo por unidade de nutriente.

“O momento de compra não é igual para todos os nutrientes. Enquanto o fósforo ainda exige mais cautela, o potássio apresenta uma relação mais favorável e o nitrogenado começa a encontrar espaço com a melhora do milho”, avalia Yedda.

Potássio apresenta condição mais favorável

O cloreto de potássio registra uma relação de troca de 22,4 sacas de soja por tonelada, resultado 4,5% mais favorável que a média dos últimos quatro anos.

Essa condição já estimula negociações antecipadas para a safra 2027/28. Em Mato Grosso, foram registradas compras de cloreto de potássio com relação próxima de 21,5 sacas de soja por tonelada.

O indicador está abaixo da média histórica de aproximadamente 23,5 sacas. Como uma quantidade menor de soja é necessária para pagar pelo fertilizante, o cenário torna a antecipação mais atrativa.

O movimento mostra que parte dos produtores começa a avaliar oportunidades para além da temporada atual, buscando reduzir a exposição a possíveis oscilações internacionais, cambiais e logísticas.

Entregas de fertilizantes recuam no Brasil

Embora algumas relações de troca tenham melhorado, o mercado brasileiro de fertilizantes mantém ritmo inferior ao observado em 2025.

No primeiro semestre, as entregas somaram 19 milhões de toneladas, queda de 5,4% na comparação anual. Somente em junho, o volume recuou 17,2%, para aproximadamente 3,56 milhões de toneladas.

A retração indica maior seletividade dos produtores, influenciada pelas condições de crédito, margens agrícolas e diferenças de competitividade entre os nutrientes.

Compra deve ser analisada por cultura e nutriente

O mercado entra na nova etapa de planejamento com situações distintas. Para a safrinha 2027, a melhora do milho favorece compras parciais de nitrogenados, mas não elimina o risco de novas oscilações da ureia.

Nos fosfatados, o MAP continua exigindo cautela, enquanto o superfosfato simples pode apresentar melhor relação por unidade de nutriente. No potássio, os indicadores mais favoráveis já estimulam negociações destinadas à safra 2027/28.

“Para o produtor, acompanhar a relação de troca ajuda a identificar onde existe uma janela de compra mais favorável e onde ainda vale esperar”, conclui Yedda.

A estratégia de aquisição tende, portanto, a depender menos do preço isolado em dólares e mais da relação entre o custo do fertilizante e o valor esperado para a produção de soja e milho.

Fonte: Portal do Agronegócio

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