Fertilizantes: manejo define retorno por hectare após a compra dos insumos
Com 90% das compras para a soja 2026/27 concluídas, segundo a Agrinvest, diagnóstico do solo, aplicação e acompanhamento da lavoura ganham peso na eficiência do investimento.
Publicado em: 14/10/2026 às 10:00hs
A contratação dos fertilizantes é apenas uma etapa do investimento em nutrição da lavoura. Com cerca de 90% dos insumos necessários para a soja 2026/27 já comprados, segundo estimativa da Agrinvest, a atenção do produtor se volta à execução do manejo e à capacidade de transformar os nutrientes adquiridos em produtividade e retorno por hectare.
Para o milho de 2027, as aquisições estão em aproximadamente 45%, indicando que o planejamento das duas culturas segue em momentos distintos. Juntas, soja, milho e cana-de-açúcar respondem por mais de 73% do consumo nacional de fertilizantes, conforme o Ministério da Agricultura.
Nesse cenário, conhecer o solo, dimensionar as necessidades nutricionais e acompanhar o desenvolvimento das plantas são fatores que influenciam o aproveitamento dos insumos.
Preço de compra é apenas parte do custo da adubação
Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil importou 7,4% menos fertilizantes em volume do que no mesmo período de 2025. Os gastos com as compras externas, porém, aumentaram 7,3%, para US$ 8,8 bilhões.
Os números mostram que uma redução na quantidade importada não significa necessariamente menor desembolso. Preços internacionais, disponibilidade dos produtos e câmbio continuam influenciando os custos da produção agrícola.
Dentro da propriedade, a avaliação também precisa ir além do valor pago por tonelada. A quantidade de nutrientes exigida pela cultura, as condições do solo e a capacidade de aproveitamento pelas plantas ajudam a determinar o resultado do investimento.
Diagnóstico do solo orienta uso eficiente dos fertilizantes
Segundo Luis Schiavo, CEO da Naval Fertilizantes, a etapa posterior à compra exige atenção semelhante à dedicada à negociação dos insumos.
O executivo destaca que a eficiência depende do conhecimento das características do solo, das necessidades da cultura e das condições de manejo de cada área. Esse diagnóstico permite organizar a nutrição de acordo com a realidade produtiva da propriedade.
O histórico dos talhões também interfere no resultado. Conforme Schiavo, quantidades iguais de fertilizante podem gerar respostas diferentes, dependendo do manejo anterior e das condições enfrentadas pelas plantas durante o ciclo.
Assim, a definição da estratégia nutricional deve considerar as particularidades de cada área, em vez de se apoiar exclusivamente no volume adquirido.
Acompanhamento da lavoura ajuda a avaliar resposta à nutrição
O trabalho não termina com a aplicação dos fertilizantes. Observar o desenvolvimento da cultura permite avaliar se o planejamento nutricional está respondendo às condições encontradas no campo e identificar a necessidade de ajustes no manejo.
Para Schiavo, a nutrição precisa estar conectada às demais práticas da propriedade. O potencial produtivo depende da interação entre diferentes fatores, e o fertilizante deve ser avaliado dentro desse conjunto.
Diagnóstico do solo, equilíbrio nutricional, estratégia de aplicação e monitoramento da lavoura formam, portanto, a base da execução para quem já contratou os insumos.
Milho de segunda safra ainda tem 55% das compras em aberto
Enquanto a soja 2026/27 avança para o plantio com a maior parte dos fertilizantes garantida, a segunda safra de milho de 2027 ainda mantém aproximadamente 55% das aquisições em aberto, segundo a Agrinvest.
Nos próximos meses, condições de crédito, clima, janela de semeadura e expectativa de área poderão influenciar essas decisões.
Para os produtores que já concluíram as compras, o foco passa a ser aproveitar adequadamente o investimento realizado. Na avaliação do CEO da Naval Fertilizantes, o retorno deve ser medido pelo resultado que o insumo ajuda a gerar na lavoura, considerando sua integração ao manejo e à produtividade de cada hectare.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias