Fertilizantes mais caros exigem atenção à compactação do solo e à eficiência da adubação
Limitações ao crescimento das raízes podem reduzir o aproveitamento dos nutrientes; diagnóstico e regulagem dos implementos ajudam a direcionar o manejo e controlar custos
Publicado em: 02/10/2026 às 07:00hs
A alta dos fertilizantes reforça a necessidade de melhorar o aproveitamento dos nutrientes pelas lavouras. Além da escolha do produto e da dose aplicada, as condições físicas do solo influenciam a resposta das plantas e podem limitar o retorno do investimento em adubação.
O tema ganha relevância diante da dependência brasileira de insumos importados. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o país importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza. Soja, milho e cana-de-açúcar, juntas, representam mais de 70% da demanda nacional.
Entre os obstáculos à eficiência da adubação está a compactação do solo. Ao restringir o desenvolvimento das raízes, o problema reduz o volume de solo explorado pelas plantas e pode comprometer o acesso aos nutrientes, mesmo quando as recomendações de fertilização são seguidas.
Compactação pode limitar a resposta aos fertilizantes
Henrique Moscatelli, engenheiro agrônomo e responsável pela área de inteligência de mercado e marketing da Piccin Equipamentos, explica que a disponibilidade de nutrientes precisa estar acompanhada de condições que permitam às raízes alcançá-los.
“Para que o fertilizante seja bem aproveitado, é preciso que os nutrientes estejam acessíveis às raízes. Em um solo compactado, elas tendem a se concentrar nas camadas mais superficiais, e o produtor passa a depender de uma faixa menor dele para nutrir a planta durante toda a safra”, afirma.
Por isso, aumentar a quantidade de adubo nem sempre resulta em ganho proporcional de produção. Segundo o agrônomo, uma barreira física pode impedir a resposta esperada da cultura, ainda que o fertilizante e a dose estejam adequados. A avaliação química, portanto, deve ser complementada pela análise das condições físicas da área.
Quais sinais podem indicar um solo compactado?
A presença de plantas menores nos mesmos pontos do talhão ao longo das safras está entre os indícios que merecem investigação. Também exigem atenção a baixa resposta ao aumento da adubação e os sintomas de deficiência nutricional que persistem após a aplicação dos fertilizantes.
Encharcamento localizado e infiltração lenta da água são outros sinais que podem estar associados à compactação. Cabeceiras, carreadores e áreas com tráfego mais intenso de máquinas precisam ser observados, pois estão sujeitos a maior pressão sobre o solo.
Esses indícios devem orientar a avaliação técnica para confirmar a existência da camada compactada e definir a necessidade de intervenção.
Descompactação deve respeitar a necessidade de cada área
Quando o diagnóstico identifica uma camada que impede o crescimento das raízes, operações mecânicas podem ajudar a recuperar condições adequadas para o desenvolvimento das plantas. O rompimento dessa barreira pode ampliar o volume de solo explorado e favorecer o acesso à água e aos nutrientes.
A intervenção também pode melhorar a infiltração da água e reduzir o escoamento superficial. Entretanto, a intensidade e a profundidade do trabalho precisam acompanhar as condições encontradas no campo.
“O equilíbrio está em trabalhar somente onde o diagnóstico identificou compactação e na profundidade necessária para romper a camada de impedimento. Fazer uma operação mais intensa do que a área exige aumenta o consumo de combustível, as horas de máquina e pode comprometer a estrutura do solo”, ressalta Moscatelli.
Regulagem dos implementos influencia o custo do manejo
A eficiência da descompactação depende também da regulagem do equipamento. Profundidade de trabalho, nivelamento, estado das ponteiras e configuração das hastes devem ser ajustados às características da operação. Regulagens inadequadas podem aumentar a força de tração exigida do trator e elevar o consumo de combustível.
Entre os equipamentos da Piccin destinados a essas operações estão o escarificador EPCR 300, com profundidade de trabalho de até 260 milímetros, e os subsoladores da linha SP, que operam entre 200 e 450 milímetros. Segundo a empresa, as linhas Controle Remoto e Advanced oferecem configurações para intervenções em camadas mais profundas, conforme a necessidade identificada.
Para a distribuição de insumos, a fabricante dispõe da linha Master com Esteira Precisa, destinada à aplicação de calcário, gesso, fertilizantes químicos e orgânicos e pó de rocha. A linha inclui configurações para operações com taxa variável.
Fonte: Portal do Agronegócio
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