Fertilizantes importados ficam 12,8% mais caros e pressionam custos da safra 2026/27
Preço médio chegou a US$ 403,20 por tonelada em agosto, enquanto volume comprado caiu 43,2%; dependência externa amplia exposição do agro ao câmbio e à logística internacional
Publicado em: 06/10/2026 às 18:40hs
O preço médio dos fertilizantes importados pelo Brasil subiu 12,8% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025, e alcançou US$ 403,20 por tonelada, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No período, o país adquiriu 2,97 milhões de toneladas de adubos ou fertilizantes químicos, volume 43,2% menor que o registrado um ano antes.
A combinação de preços mais elevados e redução das compras externas coloca o insumo entre os principais pontos de atenção no início da safra 2026/27. Com aproximadamente 85% dos fertilizantes utilizados no país provenientes do exterior, conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a produção agrícola brasileira permanece exposta às oscilações internacionais.
Preço de importação acumula altas na comparação anual
O encarecimento observado em agosto dá continuidade a uma sequência de aumentos no preço médio das compras externas. Na comparação com os mesmos meses de 2025, as altas foram de 18,2% em maio, 26,2% em junho e 18,8% em julho.
Outro levantamento, divulgado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em maio, também apontava pressão sobre os custos. Entre janeiro e abril de 2026, as importações de fertilizantes nitrogenados e fosfatados recuaram 4% em volume, enquanto o valor desembolsado aumentou 16% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os indicadores mostram que a redução da quantidade importada não foi acompanhada, necessariamente, por menor gasto com o abastecimento.
Câmbio e frete influenciam custo dos fertilizantes no Brasil
O preço na origem é apenas um dos componentes do custo do fertilizante que chega à propriedade. Câmbio, frete marítimo, disponibilidade de transporte, rotas comerciais e prazo de entrega também participam da formação do valor final.
Segundo Eudes Silveira, gerente de desenvolvimento de negócios e produtos internacionais, a dependência de fornecedores externos faz com que acontecimentos distantes das lavouras brasileiras afetem o planejamento do produtor.
Na avaliação do especialista, o aumento ou a instabilidade de qualquer etapa da operação internacional pode repercutir no custo de aquisição. Por isso, acompanhar somente a cotação do produto no país fornecedor oferece uma visão incompleta da despesa.
Concentração de fornecedores amplia exposição a riscos logísticos
Dados analisados pelo Banco Central mostram que a Rússia respondeu por 25,9% das importações brasileiras de fertilizantes em 2025, seguida pela China, com 18,8%. Os países do Oriente Médio representaram 14,5% das compras.
No segmento de nitrogenados, aproximadamente 22% das importações brasileiras tiveram origem no Oriente Médio.
Essa concentração exige atenção às condições de abastecimento e transporte. Conforme Silveira, mudanças de rota, menor disponibilidade de embarcações ou dificuldades em uma região fornecedora podem alterar simultaneamente o preço e o prazo de entrega.
Para um insumo cuja utilização acompanha o calendário agrícola, a previsibilidade logística também interfere no resultado econômico da operação.
Safra 2026/27 aumenta importância do planejamento de compras
A dimensão da próxima temporada reforça a relevância do abastecimento. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção brasileira de grãos de 366,6 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 1,4% sobre o ciclo anterior, em uma área projetada de 85,3 milhões de hectares.
A alta dos preços de importação, isoladamente, não indica desabastecimento. O ponto de atenção está na combinação entre dependência externa, custos internacionais e despesas necessárias para trazer o produto ao mercado brasileiro.
Silveira destaca que diversificar fornecedores, planejar as aquisições e organizar a logística com antecedência pode reduzir a exposição a negociações realizadas perto do momento de aplicação. Essas medidas não eliminam a volatilidade, mas ampliam as alternativas diante de mudanças no comércio internacional.
Profert busca ampliar produção nacional de fertilizantes
A dependência das importações também motivou iniciativas voltadas à produção doméstica. Instituído em setembro, o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) tem entre seus objetivos ampliar a fabricação nacional, reduzir a dependência externa e diminuir custos na cadeia agropecuária.
Enquanto essa estratégia busca resultados de longo prazo, o planejamento da safra continua condicionado ao comportamento do câmbio, dos preços internacionais, dos fretes e das regiões fornecedoras. Para o produtor, esses componentes precisam ser considerados em conjunto na avaliação do custo dos fertilizantes.
Fonte: Portal do Agronegócio
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