Adubos e Fertilizantes

Fertilizantes disparam com tensão no Oriente Médio e elevam custos da safra de grãos 2026/27

Alta da ureia, amônia e enxofre pressiona produtores no mundo e coloca fertilizantes no centro das estratégias para a próxima temporada agrícola


Publicado em: 17/06/2026 às 19:00hs

Fertilizantes disparam com tensão no Oriente Médio e elevam custos da safra de grãos 2026/27

O mercado global de fertilizantes voltou ao centro das atenções do agronegócio após uma forte escalada nos preços de insumos essenciais para a produção de grãos. A combinação entre tensões geopolíticas no Oriente Médio, gargalos logísticos e restrições na oferta internacional tem elevado os custos de produção e acendido um alerta entre produtores de soja, milho, trigo e cevada para a safra 2026/27.

A principal preocupação está relacionada aos impactos da crise envolvendo Estados Unidos e Irã sobre o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de energia e fertilizantes. A região concentra o escoamento de produtos como ureia, amônia e enxofre, fundamentais para a fabricação de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e sulfurados utilizados em diversas culturas agrícolas.

Preços sobem e pressionam planejamento das lavouras

Segundo dados da Comissão Europeia, os preços internacionais da ureia acumularam alta de 55% desde o agravamento do conflito no Oriente Médio. Em alguns mercados, como a Argentina, as cotações chegaram próximas de US$ 1.000 por tonelada, praticamente o dobro dos níveis observados antes da crise.

O avanço dos preços já influencia decisões de produtores em diferentes regiões do mundo. Em países da Europa, agricultores avaliam reduzir aplicações de nutrientes, alterar o planejamento de culturas e até deixar áreas temporariamente fora de produção diante da deterioração das margens.

Na Letônia, entidades representativas do setor agrícola alertam que os custos de produção podem superar as receitas projetadas em determinadas regiões. Já na Rússia, produtores defendem medidas para proteger o abastecimento interno diante da valorização dos fertilizantes e da redução da disponibilidade de alguns insumos.

Apesar da pressão sobre os custos, especialistas avaliam que os impactos sobre a produção global de grãos em 2026 ainda devem ser limitados, já que parte significativa dos fertilizantes necessários para a próxima safra foi contratada antes da escalada das tensões geopolíticas.

Fertilizantes ganham importância estratégica no Brasil

Enquanto o mercado brasileiro acompanha os movimentos da soja, do câmbio e das commodities agrícolas, especialistas alertam que os fertilizantes começam a assumir papel decisivo nas estratégias para a safra 2026/27.

De acordo com Jardel Oliveira de Paula, gerente de barter, muitos produtores costumam voltar sua atenção para os fertilizantes apenas quando os preços já registraram fortes altas. No entanto, os movimentos que influenciam o mercado começam muito antes e estão diretamente ligados a fatores globais de oferta, logística e geopolítica.

Segundo ele, o atual cenário exige monitoramento constante, especialmente porque o Estreito de Ormuz desempenha papel fundamental no fluxo internacional de matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes.

"O desafio não é apenas prever quanto os fertilizantes podem custar nos próximos meses, mas identificar quais produtos estão mais expostos aos riscos geopolíticos e quais oportunidades de compra ainda podem ser aproveitadas antes que novos aumentos sejam incorporados ao mercado", avalia.

Ureia, MAP e cloreto de potássio exigem atenção

Entre os produtos que devem permanecer no radar dos agricultores brasileiros estão a ureia, o MAP (fosfato monoamônico), o SSP (superfosfato simples), o cloreto de potássio (KCl) e o enxofre.

A preocupação é ainda maior em estados com elevada demanda por fertilizantes e forte dependência de importações, cenário que torna os custos mais sensíveis às oscilações do mercado internacional e às variações cambiais.

Além das tensões no Oriente Médio, o setor continua enfrentando reflexos de fatores que vêm impactando a cadeia global nos últimos anos, como os problemas logísticos da pandemia, a alta dos custos de energia e os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Compras escalonadas e barter ganham força

Diante do ambiente de incerteza, especialistas recomendam que os produtores adotem estratégias mais defensivas para a aquisição de fertilizantes.

Entre as principais alternativas está o escalonamento das compras ao longo dos próximos meses, reduzindo a exposição a movimentos bruscos de preços. Outra ferramenta que ganha relevância é o barter, modalidade que permite ao produtor travar relações de troca entre insumos e produção futura, protegendo parte das margens da próxima safra.

A expectativa do mercado é de que um acordo provisório para redução das tensões no Oriente Médio possa trazer algum alívio aos preços internacionais. No entanto, analistas destacam que os fundamentos de oferta e demanda seguem apertados, mantendo os fertilizantes como um dos principais fatores de risco e atenção para o agronegócio global nos próximos meses.

Com custos elevados e um cenário geopolítico ainda instável, o planejamento antecipado das compras tende a ser decisivo para preservar a rentabilidade das lavouras brasileiras na safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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