Publicado em: 13/04/2026 às 17:30hs
A cadeia de fertilizantes no Brasil enfrenta desafios estruturais que impactam diretamente a competitividade do setor. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio, ao analisar a recente movimentação de venda de ativos ligados à produção de fosfato no país.
Segundo ele, o cenário evidencia fragilidades na integração industrial e na organização da cadeia produtiva, fatores essenciais para a eficiência na produção de insumos agrícolas.
A fabricação de fertilizantes como MAP (fosfato monoamônico) e DAP (fosfato diamônico) exige uma estrutura industrial complexa. O processo envolve insumos como energia, enxofre, ácido sulfúrico, rocha fosfática e ácido fosfórico, além de uma logística eficiente.
Nos principais polos globais, esses elementos operam de forma integrada, garantindo maior escala de produção, previsibilidade e redução de custos.
Em regiões como o Oriente Médio, o enxofre é aproveitado como subproduto do refino de petróleo, enquanto a abundância de gás natural sustenta a produção de amônia, reduzindo custos operacionais.
Na Rússia, há forte integração entre a produção de gás, a indústria química e a logística de exportação, o que fortalece a competitividade do setor.
Já no Marrocos, o modelo combina mineração, produção química e fabricação de fertilizantes com planejamento estratégico e proximidade dos portos, formando uma cadeia altamente coordenada.
Apesar de possuir reservas relevantes de rocha fosfática, capacidade industrial e um amplo mercado consumidor, o Brasil ainda apresenta baixa integração entre os elos da cadeia.
A fragmentação da produção, aliada aos altos custos logísticos e à ausência de uma política estratégica para insumos como o enxofre, compromete a eficiência e eleva o custo final dos fertilizantes.
Esse conjunto de fatores faz com que, em diversos casos, a produção de fertilizantes no Brasil seja mais cara do que a importação.
A recente decisão de uma empresa do setor de paralisar minas de fosfato e colocar ativos à venda em Minas Gerais ocorre nesse contexto de perda de competitividade e dificuldades estruturais.
A análise aponta que, enquanto os fertilizantes não forem tratados como ativos estratégicos dentro de uma política de Estado, o Brasil deve continuar apresentando alta produtividade agrícola, porém com forte dependência externa no fornecimento de insumos.
Esse cenário mantém o país exposto a oscilações do mercado internacional e reforça a necessidade de avanços na integração e no planejamento da cadeia de fertilizantes.
Fonte: Portal do Agronegócio
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