Fertilizantes: alívio no Oriente Médio reduz riscos, mas mercado ainda enfrenta pressão sobre custos e oferta global
Relatório da StoneX aponta melhora no cenário internacional, porém destaca desafios para nitrogenados, fosfatados e abastecimento da próxima safra brasileira diante de custos financeiros elevados.
Publicado em: 10/07/2026 às 11:30hs
A redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio começa a devolver previsibilidade ao mercado global de fertilizantes, mas ainda está longe de representar uma normalização completa para produtores e importadores. A avaliação consta na 36ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, que aponta avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã como um dos principais fatores para diminuir os riscos de interrupções no abastecimento mundial.
Segundo a consultoria, a possível retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz e o retorno gradual das exportações chinesas de ureia tendem a aliviar parte das restrições de oferta que impulsionaram os preços e aumentaram a volatilidade do mercado nos últimos meses.
Para Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a evolução das negociações diplomáticas melhora a previsibilidade para toda a cadeia global de fertilizantes.
"A evolução das tratativas diplomáticas representa um fator importante para a redução dos riscos no mercado global de fertilizantes. Embora não elimine novos episódios de instabilidade, esse cenário amplia a visibilidade dos agentes do setor e reforça as expectativas de normalização dos fluxos comerciais ao longo do segundo semestre."
Mercado de fertilizantes entra em nova fase, mas riscos permanecem
Apesar da melhora do ambiente internacional, a StoneX alerta que os efeitos não serão homogêneos entre os diferentes segmentos do complexo NPK.
Enquanto os fertilizantes nitrogenados já passaram por uma expressiva correção de preços e podem voltar a registrar movimentos de valorização, os fosfatados continuam enfrentando limitações estruturais relacionadas à oferta de matérias-primas e aos custos industriais.
Assim, a consultoria avalia que o terceiro trimestre de 2026 deverá apresentar menor volatilidade que o observado durante o auge das tensões no Oriente Médio, mas ainda exigirá atenção dos compradores.
Nitrogenados podem voltar a subir com retomada da demanda
O segmento de nitrogenados apresentou uma das maiores correções do mercado.
No Brasil, as cotações CFR da ureia, que chegaram próximas de US$ 800 por tonelada em abril, acumularam queda de aproximadamente 50% em apenas nove semanas, recuperando parte da competitividade para os produtores rurais.
Segundo a StoneX, entretanto, essa forte retração reduziu o espaço para novas quedas relevantes.
Agora, o mercado passa a acompanhar principalmente os fundamentos de demanda, como:
- retomada das compras pela Índia;
- recomposição dos estoques brasileiros;
- necessidade de abastecimento para a safrinha e para a próxima safra de verão.
De acordo com Pernías, os riscos passaram a favorecer uma recuperação das cotações.
"Os preços já absorveram boa parte dos fatores baixistas. Com valores mais baixos, o foco volta para a demanda global e para a necessidade de reposição dos estoques."
Fosfatados seguem pressionados pela escassez de enxofre
No mercado de fertilizantes fosfatados, a situação permanece mais desafiadora.
Embora a melhora logística internacional reduza parte das pressões, a oferta limitada de enxofre continua restringindo a produção mundial.
Como o enxofre é matéria-prima essencial para fabricação de fertilizantes fosfatados, sua escassez aumenta os custos industriais e limita a capacidade operacional de diversas fábricas ao redor do mundo.
Esse cenário também dificulta uma retomada mais consistente das exportações chinesas de MAP e DAP, mantendo os preços internacionais em níveis historicamente elevados.
Segundo a StoneX, a normalização logística não significa retorno imediato às condições observadas antes da crise geopolítica.
Potássio apresenta cenário mais estável
Entre os principais grupos de fertilizantes, o mercado de potássicos apresenta o ambiente mais equilibrado.
A StoneX observa que:
- não há restrições relevantes na oferta global;
- os compradores continuam resistentes a preços mais elevados;
- a demanda permanece moderada.
Com isso, a expectativa é de estabilidade nas cotações durante o terceiro trimestre de 2026, reduzindo o risco de oscilações expressivas.
Brasil precisa acelerar compras para garantir abastecimento
Mesmo com a melhora do cenário externo, o mercado brasileiro ainda enfrenta desafios importantes.
Segundo a StoneX, os volumes adquiridos de ureia e MAP permanecem abaixo da média histórica, aumentando a necessidade de acelerar as importações para garantir o abastecimento da próxima safra.
Além disso, continuam no radar fatores como:
- comportamento das monções na Índia;
- evolução da demanda internacional;
- capacidade logística dos portos;
- janelas de importação.
Para a consultoria, as próximas semanas serão decisivas para assegurar a disponibilidade de fertilizantes no período de maior demanda do agronegócio brasileiro.
Juros elevados continuam pressionando a rentabilidade do produtor
Outro fator que preocupa o mercado é o ambiente de juros elevados no Brasil e nos Estados Unidos.
Mesmo com menor volatilidade internacional, o custo do crédito segue pressionando o fluxo de caixa e reduzindo a rentabilidade do produtor rural.
Segundo a StoneX, a redução dos riscos geopolíticos melhora o ambiente comercial, mas não elimina os desafios financeiros enfrentados pelo setor agrícola.
A consultoria conclui que a combinação entre custos elevados de financiamento, necessidade de recomposição de estoques e atenção à logística continuará determinando as estratégias de compra de fertilizantes ao longo do segundo semestre de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
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